Uma nova onda de explosões foi registrada neste domingo em países do Golfo Pérsico, elevando o temor de um conflito regional de grandes proporções no Oriente Médio. Pelo menos três pessoas morreram nos Emirados Árabes Unidos após ataques lançados pelo Irã em retaliação às ofensivas dos Estados Unidos e de Israel que resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e de outras autoridades do alto escalão.
Explosões foram ouvidas pelo segundo dia consecutivo em
Dubai, Manama (Bahrein) e Doha (Catar). Testemunhas relataram à imprensa
intermacional fortes estrondos e colunas de fumaça negra no horizonte,
especialmente na região sul da capital catariana. Em Dubai, interceptações de
mísseis deixaram rastros de fumaça branca no céu, enquanto fumaça escura foi vista
sobre Jebel Ali, um dos portos mais movimentados do Oriente Médio.
O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou
que as três vítimas fatais no país eram cidadãos do Paquistão, Nepal e
Bangladesh. No aeroporto de Abu Dhabi, ao menos uma pessoa morreu e sete
ficaram feridas durante o que as autoridades classificaram como um “incidente”.
Em Dubai, quatro pessoas ficaram feridas após um incêndio atingir áreas
próximas à ilha artificial Palm Jumeirah.
Segundo o governo emiradense, o país foi alvo de 137 mísseis
e 209 drones disparados pelo Irã no sábado, a maioria interceptada pelos
sistemas de defesa aérea. Ainda assim, houve danos em aeroportos e áreas
estratégicas. Kuwait também registrou 12 feridos após ataques, incluindo
militares atingidos na base aérea de Ali Al Salem, que abriga tropas americanas
e estrangeiras. Um drone atingiu o aeroporto internacional do país, causando
danos materiais e ferimentos leves em funcionários.
No Catar, oito pessoas ficaram feridas em ataques com
mísseis e drones. Um sistema de radar foi danificado na base aérea de Al Udeid,
a maior instalação militar dos EUA na região. O governo catariano classificou a
ofensiva como “violação flagrante da soberania nacional” e afirmou que se
reserva o direito de responder.
Em Omã, tradicional mediador entre Teerã e Washington, o
porto comercial de Duqm foi atingido por dois drones, deixando trabalhadores
feridos. Posteriormente, um petroleiro foi atacado próximo à costa omanense,
com quatro tripulantes feridos após a evacuação da embarcação. O Conselho de
Cooperação do Golfo condenou o ataque, e o porta-voz do Ministério das Relações
Exteriores do Catar afirmou que a ação contra Omã representa “um ataque ao próprio
princípio da mediação”.
As ofensivas iranianas ocorreram após ataques contra bases
militares usadas pelos Estados Unidos na região. Milhares de soldados
americanos estão destacados nos países árabes ricos em petróleo e gás que
margeiam o Golfo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou
que poderá responder com uma “força nunca antes vista” caso o Irã mantenha as
represálias. Já o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, afirmou à imprensa
americana que os ataques não tinham como alvo os países do Golfo, mas sim bases
militares dos EUA.
A Arábia Saudita informou ter interceptado ataques
contra Riad e sua província oriental, classificando a ação iraniana como
“agressão”. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman manteve contatos
com líderes da região após os bombardeios.
Gazeta Brasil

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