Após recuo da greve, governo terá nova rodada de negociações com caminhoneiros | Rio das Ostras Jornal

Após recuo da greve, governo terá nova rodada de negociações com caminhoneiros

Entidades ligadas aos caminhoneiros ainda estão sob estado de greveAloisio Mauricio/Fotoarena/Estadão Conteúdo - 17.3.2026

Guilherme Boulos vai receber representantes dos caminhoneiros nesta semana para falar sobre reivindicações ainda pendentes

Apesar de decidirem não iniciar uma paralisação nacional na semana passada após o governo publicar uma medida provisória beneficiando caminhoneirosentidades ligadas à classe ainda estão sob estado de greve, que está mantido até a conclusão das negociações sobre pontos da pauta da categoria ainda pendentes.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, vai receber representantes dos caminhoneiros nesta semana, em mais uma etapa das tratativas abertas após a publicação da medida.

A decisão tomada na sede do Sindicam (Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista), em Santos, não encerrou o movimento, mas transferiu para os próximos dias uma nova avaliação sobre eventual paralisação.

“Está mantido o estado de greve”, disse o presidente da ANTB (Associação Nacional de Transporte no Brasil), José Roberto Stringasci.

A CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística) afirmou em nota que a paralisação nacional está, “por enquanto, suspensa” e atribuiu a decisão à publicação da medida provisória.

O presidente da entidade, Paulo João Estausia, o Paulinho do Transporte, disse que os caminhoneiros agiram com “maturidade, responsabilidade e coerência” ao evitar a paralisação. A confederação informou ainda que continuará negociando com o governo outras pautas da categoria, que poderão ser apresentadas por meio de emendas à medida provisória.

A Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores) também informou, em nota, que a greve geral está suspensa até nova reunião com o governo nesta semana.

A entidade relacionou a decisão às medidas publicadas nos dias 12 e 19 de março sobre diesel, frete e fiscalização do piso mínimo. Segundo a associação, a suspensão do movimento está condicionada ao avanço das negociações e ao atendimento das reivindicações ainda pendentes.

O presidente do Sindicam, Luciano Santos de Carvalho, indicou durante a assembleia que a avaliação das lideranças foi a de manter a negociação aberta após a publicação da MP. “Para nós, o piso mínimo é dignidade e qualidade de vida para os caminhoneiros. Se subir o diesel, agora, com as regras dessa MP, o frete subirá também”, afirmou.

O que diz a MP do governo

Publicada em edição extra do Diário Oficial da União, a MP nº 1.343/2026 reforça as regras para o cumprimento do piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas.

A MP traz modificações à lei da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, de 2018. Para isso, estabelece mecanismos mais rigorosos de controle, como, por exemplo, a obrigatoriedade do registro de todas as operações por meio do CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte).

A medida também prevê um reforço na fiscalização, unindo dados coletados pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres)Receita Federal e fiscos estaduais e municipais.

Outra mudança importante envolve o endurecimento das penalidades por descumprimento das regras. Neste caso, empresas transportadoras poderão ser punidas com a suspensão do registro no RNTRC (Registro Nacional de Transportes Rodoviários e Cargas) e até mesmo com o cancelamento da autorização para atuar no setor por até dois anos.

Os TACs (Transportadores Autônomos), por sua vez, não serão alvo das suspensões.

As multas para contratantes que descumprirem o piso do frete também sofreram aumento: agora, podem variar de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação, além da possibilidade de proibição de contratar novos fretes.

A responsabilização pode ainda se estender a sócios e integrantes de grupos econômicos, por meio da desconsideração da personalidade jurídica.

Também na semana passada, o governo publicou o decreto nº 12.883/2026, com diretrizes para a definição do preço de referência do diesel.

R7

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