3/10/2026

Advogada é suspeita de pagar propina de R$ 150 mil a delegado e ex-secretário para interferir em extradição de traficante

O holandês Gerel Lusiano Palm, de 38 anos, foi preso pela PF na Barra da Tijuca, nesta quarta-feira (7) — Foto: Reprodução

Polícia Federal cumpriu, nesta manhã de segunda-feira (9), mandados de prisão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. Delegado federal preso é suspeito de tentar interferir no andamento do processo de Gerel Lusiano Palm.

A Polícia Federal investiga a suspeita de que o delegado federal Fabrizio Romano e Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário estadual de Esportes do Rio de Janeiro, tenham recebido R$ 150 mil em propina da advogada Patrícia Falcão para interferir no processo de extradição do traficante Gerel Lusiano Palm.

Nesta segunda-feira (9), o Supremo Tribunal Federal (STF) expediu mandados de prisão para serem cumpridos nos bairros do Recreio dos Bandeirantes, Jacarepaguá e Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio.

O delegado Fabrizio Romano e a advogada Patrícia Falcão foram presos nesta segunda. Alexandre Carracena estava preso deste setembro de 2025. Agora, ele passa a ter um outro mandado de prisão.

O traficante Gerel Palm foi preso em julho de 2021 por tentativa de homicídio, porte ilegal de armas e tráfico de drogas. Natural de Curaçao, Gerel chegou a ser procurado pelo DEA, órgão da polícia americana responsável pela investigação ao tráfico internacional de drogas.

Delegado federal Fabrizio Romano, preso nesta 
segunda (9), no Rio — Foto: Reprodução

De acordo com as investigações, a advogada Patrícia, que representa Gerel, procurou por Carracena, em 2023, e teria oferecido o dinheiro para ele auxiliar no processo de extradição do criminoso. As investigações apontam que o ex-secretário teria utilizado de sua influência política para acionar pessoas para atender a advogada.

Advogada Patrícia Falcão — Foto: Reprodução

Um deles, segundo a PF, seria o delegado Fabrizio Romano, lotado na Delegacia Previdenciária. Há suspeita de que o delegado teria pedido um adiantamento de parte dos R$ 150 mil. Romano também é suspeito de acessar o sistema da polícia e buscar acesso aos processos referentes a Gerel.

A operação integra a força-tarefa Missão Redentor II, criada em cumprimento a uma decisão do Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF 635, a ADPF das Favelas. A iniciativa busca fortalecer a produção de inteligência e a repressão aos principais grupos criminosos violentos no RJ, com foco na identificação de conexões entre organizações criminosas e agentes públicos.

Os investigados poderão responder, de acordo com o grau de participação, pelos crimes de associação criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.

Alessandro Carracena, ex-secretário de Esportes do RJ 
Foto: Reprodução TV Globo

O que dizem os citados

A defesa técnica de Fabrizio Romano informou que não teve acesso à decisão que determinou sua prisão.

g1 procura pela defesa dos outros envolvidos no caso.

Por Marco Antônio Martins, g1 Rio

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