Professores da UERJ denunciam baixos salários e desvalorização | Rio das Ostras Jornal

Professores da UERJ denunciam baixos salários e desvalorização

Associação dos Docentes da UERJ pedem recomposição salarial, revisão do cálculo do triênio e revogação de lei que extingue benefícios para novos servidores — Foto: Guito Moreto/Infoglobo

Associação dos Docentes da universidade (Asduerj) defende que má remuneração impacta universidade como um todo, já que salários pouco atrativos tornam mais difícil reter servidores

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro inicia um novo período letivo daqui a um mês, especificamente no dia 9 de março, mas seus professores ainda lidam com pautas antigas. A Associação dos Docentes da Universidade do Estado do Rio (Asduerj) denuncia que professores da instituição estão sofrendo com baixa remuneração e desvalorização, problemas que, em última instância, afligem a capacidade da própria universidade de atrair e reter profissionais qualificados.

Assim como a maioria dos servidores estaduais, professores da Uerj reivindicam a recomposição salarial, já que a última ocorreu em 2023, cobrindo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2022. Eles também aguardam o pagamento de duas das três parcelas estabelecidas pela Lei Estadual 9.436/2021 (referente ao acumulado no período de 2017 a 2021).

A Asduerj calcula ainda uma defasagem de 110,4% no salário dos profissionais, considerando que o último reajuste salarial aconteceu em maio de 2001, fruto de uma greve. O foco das reivindicações, porém, é um índice bem mais modesto: a recomposição acumulada de 17,31%, que concentra os 13,05% das duas parcelas da lei estadual que ainda não foram pagas mais o IPCA de 2025, de 4,26%.

— Os IPCAs de 2023, 2024 e 2026 seriam pagos ano que vem [em 2027] — explica o presidente da Asduerj, o professor Gregory Magalhães Costa.

Também critica o cálculo do triênio que, a partir de 2018, passou a incidir apenas sobre o vencimento-base, e não sobre a remuneração global. Descontos, como o da previdência, porém, consideram os vencimentos totais.

Triênios extintos

Também não são todos os docentes que recebem triênio. Na esteira do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), uma lei complementar extinguiu o adicional para servidores que ingressaram a partir de outubro de 2021. Esse cenário, na visão do presidente da Asduerj, torna a carreira "pouco atraente":

— Os concursos têm poucos candidatos, há evasão de professores. A Uerj tem sido vista como um trampolim para outras carreiras. Isso esvazia sua função social e diminui a qualidade de ensino, pesquisa e extensão.

Mobilização

Costa explicou que as reivindicações têm se concentrado nessas três bandeiras: recomposição salarial, a incidência do triênio na remuneração global e a revogação da lei que extinguiu o triênio para novos servidores.

Diante dos problemas, a categoria aposta em três possibilidades de mobilização: pressionar o governo estadual para realizar os pagamentos, mover uma ação civil pública voltada exclusivamente para a revisão do cálculo do triênio e pedir uma audiência pública na Câmara dos Deputados.

Foi apresentado um requerimento na Comissão de Legislação Participativa (CLP) para solicitar uma audiência pública que visa debater a recomposição salarial e a inserção da revogação das leis sobre triênios no contrato do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, o Propag, cuja adesão do estado do Rio foi autorizada pela Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) em dezembro de 2025.

A REQ 141/2025 CLP foi aprovada e a audiência pública para discutir os termos está prevista para acontecer em março.

O que diz o governo

Procurado, o governo do estado afirmou que "os repasses para a Uerj estão em dia" e que, "nos últimos anos, os investimentos na universidade cresceram, ficando acima do previsto pela Lei Orçamentária". Afirmou ainda que, "em 2025, a instituição de ensino recebeu R$ 1.893.905.867 e, em 2024, R$ 1.832.259.836, aumento de quase 4%". Por fim, declarou: "A Uerj tem autonomia financeira para administrar os recursos. Enquanto ajusta o processo de adesão ao Propag, o Estado encontra-se sob as regras do RRF, um cenário desafiador para manter o equilíbrio das contas públicas".

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