Pagamos impostos demais: a busca pelo retorno social invisível | Rio das Ostras Jornal

Pagamos impostos demais: a busca pelo retorno social invisível

 Por Angel Morote

Viver em Rio das Ostras tem um custo elevado. A carga tributária municipal, somada ao custo de vida de uma cidade turística, exige muito do bolso do trabalhador riostrense. O problema não é apenas o valor que pagamos, mas a percepção de que o retorno social desses impostos é desproporcional à arrecadação. Quando pagamos o IPTU, as taxas de licenciamento e os impostos indiretos sobre cada serviço, esperamos que a contrapartida venha em forma de saúde digna, educação de qualidade e infraestrutura moderna. Para a pessoa com deficiência, esse retorno é ainda mais urgente, pois a nossa autonomia depende diretamente da qualidade dos serviços públicos.

A análise das prioridades orçamentárias de uma cidade diz muito sobre o que o governo valoriza. Se o orçamento é focado em eventos efêmeros enquanto faltam insumos básicos nos postos de saúde ou rampas nas esquinas, há uma inversão clara de valores. A transparência orçamentária em Rio das Ostras precisa ser levada a sério. O cidadão tem o direito de saber, de forma clara e sem jargões técnicos, quanto está sendo investido em cada setor e quais são os resultados práticos desses gastos. A falta de acessibilidade nas escolas municipais e a demora em exames especializados são sinais claros de que o nosso dinheiro não está retornando para onde mais importa: a vida das pessoas.

Como contribuinte e ativista, vejo que a população muitas vezes se sente impotente diante da má gestão dos recursos. No entanto, a nossa indignação deve ser transformada em participação ativa. É preciso ocupar as audiências públicas do orçamento e cobrar que as metas de inclusão sejam cumpridas. A infraestrutura de uma cidade deve ser pensada para o longo prazo, garantindo que o imposto pago hoje se transforme em um legado de mobilidade e segurança para as próximas gerações. Uma cidade que arrecada muito e investe mal é uma cidade que condena sua população à sobrevivência e não ao desenvolvimento pleno.

Rio das Ostras tem recursos, tem potencial e tem um povo trabalhador. O que falta é uma gestão técnica que trate o dinheiro público com o respeito que ele merece. Precisamos de eficiência administrativa que elimine desperdícios e foque no essencial. A saúde, a educação e a acessibilidade não podem ser tratadas como "gastos", mas sim como investimentos no capital humano da nossa cidade. O retorno social do imposto é o que garante a paz social e a justiça para todos os cidadãos, independentemente de sua condição física.

Será que o gestor municipal de Rio das Ostras teria a coragem de apresentar as contas da prefeitura em uma praça pública e dizer, de cabeça erguida, que cada centavo do seu imposto está sendo bem aplicado?

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