Viver em Rio das Ostras tem um custo elevado. A carga tributária municipal, somada ao custo de vida de uma
cidade turística, exige muito do bolso do trabalhador riostrense. O problema não é apenas o valor que
pagamos, mas a percepção de que o retorno social desses impostos é
desproporcional à arrecadação. Quando
pagamos o IPTU, as taxas de licenciamento
e os impostos indiretos sobre cada serviço, esperamos que a contrapartida venha
em forma de saúde digna, educação de qualidade e infraestrutura moderna. Para a pessoa com deficiência, esse
retorno é ainda mais urgente, pois a nossa autonomia depende diretamente da
qualidade dos serviços públicos.
A análise das
prioridades orçamentárias de uma cidade diz muito sobre o que o governo
valoriza. Se o orçamento é
focado em eventos efêmeros enquanto faltam insumos básicos nos postos de saúde
ou rampas nas esquinas, há uma inversão clara de valores. A transparência orçamentária em Rio das Ostras precisa ser levada a sério. O cidadão tem o direito de saber, de forma clara e sem jargões
técnicos, quanto está sendo investido em cada setor e quais são os resultados
práticos desses gastos. A falta
de acessibilidade nas escolas municipais e a demora em exames especializados
são sinais claros de que o nosso dinheiro não está retornando para onde mais
importa: a vida das pessoas.
Como
contribuinte e ativista, vejo que a população muitas vezes se sente impotente
diante da má gestão dos recursos. No
entanto, a nossa indignação deve ser transformada em participação ativa. É preciso ocupar as audiências
públicas do orçamento e cobrar que as metas de inclusão sejam cumpridas. A infraestrutura de uma cidade deve
ser pensada para o longo prazo, garantindo que o imposto pago hoje se
transforme em um legado de mobilidade e segurança para as próximas gerações. Uma cidade que arrecada muito e
investe mal é uma cidade que condena sua população à sobrevivência e não ao
desenvolvimento pleno.
Rio das Ostras tem recursos, tem potencial e
tem um povo trabalhador. O que
falta é uma gestão técnica que trate o dinheiro público com o respeito que ele
merece. Precisamos de eficiência
administrativa que elimine desperdícios e foque no essencial. A saúde, a educação e a acessibilidade
não podem ser tratadas como "gastos", mas sim como investimentos no
capital humano da nossa cidade. O
retorno social do imposto é o que garante a paz social e a justiça para todos
os cidadãos, independentemente de sua condição física.
Será que o
gestor municipal de Rio das Ostras teria a coragem de apresentar
as contas da prefeitura em uma praça pública e dizer, de cabeça erguida, que
cada centavo do seu imposto está sendo bem aplicado?

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