Oposição já anunciou que vai acionar a Justiça Eleitoral
para punir o petista por suposta propaganda antecipada
O departamento jurídico do PT divulgou uma nota na tarde
desta segunda-feira (16) dizendo que “não há fundamento jurídico” para uma
possível punição à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por
conta do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o
petista em desfile realizado no domingo (15) pelo Grupo Especial do Carnaval do
Rio de Janeiro.
“A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal
Superior Eleitoral é firme no sentido de que manifestações políticas e
culturais espontâneas de artistas constituem exercício legítimo da liberdade de
expressão, inclusive em contextos eleitorais e em eventos públicos”, diz a nota
do partido.
O Partido Novo anunciou que acionará a Justiça Eleitoral para
pedir a inelegibilidade do presidente. O senador Flávio Bolsonaro
(PL-RJ), principal adversário de Lula na disputa presidencial, também
criticou o petista e disse que ele usa dinheiro público “para fazer
campanha antecipada pra ele mesmo”.
Flávio disse ser “um crime o que está acontecendo no
carnaval do Rio”. Reclamou do fato de seu pai ter sido condenado no
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por uma reunião com embaixadores. Não
mencionou, porém, o motivo da condenação: o então presidente reuniu os
representantes de outros países para fazer ataques sem provas ao sistema
eleitoral.
Por conta da polêmica, o Palácio do Planalto
orientou os ministros a não participarem do desfile, pois isso poderia
caracterizar desvio de finalidade para promover Lula e outras autoridades, além
de configurar suposta campanha eleitoral antecipada, segundo a assessoria
jurídica do governo.
A primeira-dama Janja havia sido liberada por não possuir
cargo público, mas desistiu de última hora, evitando
desgaste com a base do governo,
Após o desfile, Lula, que assistiu à apresentação no
camarote do governador Eduardo Paes, desceu para cumprimentar integrantes da
Acadêmicos de Niterói. O presidente também cumprimentou membros de outras
escolas e ficou para prestigiar todos os desfiles da noite.
Estreante no Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói levou à
Avenida o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do
Brasil”, que retratou a infância do presidente em Pernambuco e sua trajetória
até o Planalto. A escola foi fundada há quatro anos.
Além de exaltar Lula, a agremiação também fez críticas
abertas aos ex-presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro, retratado como um
palhaço que eventualmente é encarcerado, além de conservadores em geral. No
samba-enredo, um trecho alude a um antigo, e famoso, jingle do petista de 1989,
além de fazer referência ao cantor e compositor Chico Buarque, um dos mais
proeminentes intelectuais de esquerda do Brasil. “Olê, olê, olá. Vai passar
nesta avenida, mais um samba popular. Olê, olê, olâ. Lula, Lula!”, diz a letra.
Sobre a exaltação ao presidente e pré-candidato, o PT
rechaçou a possibilidade de se tratar de propaganda antecipada. “Nos termos do
art. 36-A da Lei das Eleições, não configura propaganda eleitoral antecipada a
mera exaltação de qualidades pessoais de agente político, sobretudo quando
realizada por terceiros e sem pedido explícito de voto, elemento indispensável
para caracterização de irregularidade eleitoral, inexistente no caso”, diz a
nota. Especialistas em direito eleitoral divergiram sobre a polêmica, mas
a maioria
concordou com a argumentação feita pelo partido.
Leia a nota do PT na íntegra
O Partido dos Trabalhadores esclarece, diante de
questionamentos públicos sobre o desfile carnavalesco que homenageou o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que:
1. O enredo apresentado é manifestação típica da
liberdade de expressão artística e cultural, plenamente assegurada pela
Constituição Federal. A concepção, desenvolvimento e execução do desfile
ocorreram de forma autônoma pela agremiação carnavalesca, sem participação,
financiamento, coordenação ou qualquer ingerência do Partido dos Trabalhadores
ou do presidente Lula.
2. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior
Eleitoral é firme no sentido de que manifestações políticas e culturais
espontâneas de artistas constituem exercício legítimo da liberdade de
expressão, inclusive em contextos eleitorais e em eventos públicos.
3. Nos termos do art. 36-A da Lei das Eleições, não configura propaganda
eleitoral antecipada a mera exaltação de qualidades pessoais de agente
político, sobretudo quando realizada por terceiros e sem pedido explícito de
voto, elemento indispensável para caracterização de irregularidade eleitoral,
inexistente no caso.
4. O Tribunal Superior Eleitoral já analisou as medidas judiciais
apresentadas sobre o tema, indeferindo pedidos liminares. As demais iniciativas
judiciais foram indeferidas.
5. À luz desses elementos, não há fundamento jurídico para qualquer
discussão sobre inelegibilidade relacionada ao episódio.
6. O Partido dos Trabalhadores reafirma que atua em estrita observância à
legislação eleitoral, tendo orientado previamente seus filiados e apoiadores
quanto às regras aplicáveis ao período de pré-campanha.
O Partido reitera seu respeito às instituições e à
Justiça Eleitoral, confiante na prevalência da Constituição, da liberdade
artística e da segurança jurídica.
Lula na Sapucaí
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou à Marquês de
Sapucaí pouco depois de 20h20 deste domingo (15) para assistir ao desfile da
escola de samba Acadêmicos de Niterói, com enredo em sua homenagem. O petista
acompanha o desfile no camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro, ao lado do
prefeito carioca, Eduardo Paes (PSD), de ministros do governo e autoridades.
Sob alerta de possíveis acusações de propaganda eleitoral
irregular, o Palácio do Planalto vetou a participação de ministros no desfile
em homenagem a Lula, bem como o uso de verba pública para comparecer à festa na
Sapucaí. Apenas a primeira-dama, Janja da Silva, foi liberada para participar,
por não exercer cargo público.
Estavam com Lula no camarote da prefeitura:
- Anielle
Franco (Igualdade Racial);
- Alexandre
Padilha (Saúde);
- Alexandre
Silveira (Minas e Energia);
- Camilo
Santana (Educação);
- Esther
Dweck (Gestão e Inovação);
- Frederico
Siqueira (Comunicações);
- Gleisi
Hoffmann (Relações Institucionais);
- Macaé
Evaristo (Direitos Humanos);
- Márcia
Lopes (Mulheres);
- presidente
da Petrobras, Magda Chambriard;
- presidente
do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), Aloizio Mercadante;
- vice-presidente
Geraldo Alckmin (PSB);
- deputado
federal Lindbergh Farias (PT-RJ);
- deputado
federal Pedro Uczai (PT-SC);
- deputado
federal Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ);
- deputada
federal Talíria Petrone (PSol-RJ);
- deputado
federal Tarcísio Motta (PSol-RJ);
- secretário-executivo
do Ministério da Cultura, Márcio Tavares;
- José
Dirceu, ex-ministro;
- Lu Alckmin, segunda-dama;
JP

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!