Por Angel Morote
A mobilidade
urbana é a espinha dorsal de qualquer cidade que se pretenda democrática. Em Rio das Ostras,
porém, essa espinha dorsal parece sofrer de uma escoliose grave. Caminhar pelas ruas de bairros como Costazul ou o Centro é, para a pessoa com deficiência, um teste constante de
resiliência e coragem. O que
para muitos é um simples deslocamento até a padaria, para nós pode se
transformar em um labirinto de obstáculos: calçadas com lixeiras no meio do
caminho, desniveladas, buracos ocultos, raízes de árvores que destroem o
passeio público e, principalmente, a falta de continuidade nas rotas
acessíveis.
Como membro
da Comissão Multidisciplinar Permanente de Mobilidade Urbana,
tenho acompanhado de perto as discussões sobre o plano diretor da cidade. O que percebo é um abismo entre o que
está no papel e o que é executado nas ruas. A acessibilidade não pode ser pensada de forma isolada, em
"ilhas de boa vontade". Não
adianta ter uma rampa na porta da prefeitura se o trajeto até lá é impossível
de ser realizado de forma independente. A
falta de acessibilidade é uma forma silenciosa de segregação urbana; ela diz
quem pode e quem não pode ocupar a praça, o comércio e a orla.
Além da
infraestrutura, o transporte público em nossa cidade é um ponto de
estrangulamento. Apesar da
existência de elevadores em parte da frota, a manutenção desses equipamentos é
frequentemente negligenciada e o treinamento dos motoristas e cobradores para o
auxílio adequado ainda é insuficiente. O
resultado é um isolamento forçado da Pcd,
que acaba desistindo de sair de casa por medo de ficar "na mão" ou de
passar por situações vexatórias. Essa
exclusão afeta também idosos, pessoas com mobilidade reduzida temporária e mães
com carrinhos de bebê. Uma
cidade acessível é melhor para todos, sem exceção.
É preciso
coragem política para cobrar dos proprietários de imóveis e das empresas de
ônibus o cumprimento das normas, mas é dever da prefeitura dar o exemplo nas
obras públicas. A mobilidade
urbana deve ser encarada como o motor da economia local e da inclusão social. Quando uma pessoa com deficiência
consegue circular livremente, ela consome, ela trabalha, ela se diverte e ela
movimenta a cidade. Não pedimos
"vagas de cortesia", pedimos um planejamento urbano que não nos trate
como obstáculos ao trânsito.
Se a
liberdade de ir e vir é um direito fundamental, por que em Rio das Ostras essa liberdade parece ter um preço tão alto em termos de
segurança e esforço físico para quem possui uma deficiência?

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