O forte vínculo de Epstein com a França já era conhecido
antes da divulgação das milhões de páginas do dossiê
Depois dos Estados Unidos, a França é o país onde o caso de
Jeffrey Epstein está provocando o maior terremoto político. Nos últimos dias, à
medida que são destrinchados os documentos liberados pelo Departamento de Justiça
americano, novos nomes de autoridades francesas aparecem no dossiê, o que levou
o governo a se manifestar oficialmente nesta quarta-feira (11).
Na segunda-feira (9), interpelado sobre a questão por um
jornalista na abertura de uma feira setorial de vinhos, o presidente Emmanuel
Macron havia dito que “é um caso que diz respeito sobretudo aos Estados Unidos
da América” e que “é preciso que a Justiça faça seu trabalho lá”.
Agora, porém, o caso chegou à Justiça francesa.
O ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot,
anunciou ter comunicado à Justiça “fatos presumidos” envolvendo um diplomata
francês, identificado por alguns veículos franceses como Fabrice Aidan. Ele
teria fornecido “informações diplomáticas” a Epstein, o criminoso sexual
americano encontrado morto na prisão em 2019. “Estou estupefato”, disse o
ministro.
Por sua vez, a porta-voz do governo, Maud Bregeon,
incentivou “as mulheres que teriam sido vítimas a falar e se voltarem à
Justiça”. Mas fez a ressalva de que “não cabe ao Executivo dizer ao Judiciário
como cuidar do caso”.
Segundo o site investigativo Mediapart e a emissora estatal
Radio France, o diplomata ligado a Epstein já havia sido investigado em 2013
pelo FBI, a polícia federal americana, e pelas Nações Unidas, por suspeita de
consulta de sites de pedofilia.
Além desse diplomata, identificado por alguns veículos
locais como Fabrice Aidan, políticos franceses de esquerda e de direita foram
mencionados em mensagens -o que não significa necessariamente envolvimento em
ilegalidades.
O forte vínculo de Epstein com a França já era conhecido
antes da divulgação das milhões de páginas do dossiê. A principal cúmplice
dele, Ghislaine Maxwell, atualmente cumprindo pena de 20 anos de prisão nos
EUA, nasceu na França e circulava na alta sociedade parisiense.
No fim de semana, as revelações do caso provocaram a queda
de Jack Lang, um veterano político de esquerda. Ex-ministro da Cultura e da
Educação em diversas ocasiões entre os anos 1980 e 2000, Lang, 86, foi obrigado
a renunciar à presidência do prestigioso Instituto do Mundo Árabe, fundação
financiada pelo Estado francês.
No dossiê Epstein, Lang aparece em um vídeo posando com o
americano em frente à pirâmide do Museu do Louvre. Revelou-se também que uma filha
de Lang era sócia de Epstein em uma offshore em um paraíso fiscal. Ela negou
ter conhecimento dessa empresa, mas teve de renunciar ao cargo que ocupava em
uma ONG de apoio a jovens LGBT vulneráveis.
Por ora, os documentos não revelam nenhuma ilegalidade
cometida por Jack Lang ou sua filha, o que o levou a dizer em uma entrevista
que está “branco como a neve”. Mas a repercussão negativa de sua intimidade com
Epstein tornou insustentável a permanência à frente do instituto.
O caso também repercutiu nas instituições europeias. O
Conselho da Europa, organização de unificação de normas que reúne 46 governos
do continente, anunciou ter retirado a imunidade do norueguês Thorbjorn
Jagland, secretário-geral da entidade de 2009 a 2019. Ex-presidente do comitê
do Prêmio Nobel da Paz, Jagland é suspeito de ter pedido e recebido benesses de
Epstein.
A Noruega é outro país europeu fortemente atingido pelo
caso, devido à descoberta da amizade íntima entre Epstein e a princesa
Mette-Marit, casada com o herdeiro do trono, Haakon.
Jornal de Brasília

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