Carta Aberta: A deficiência não é adereço e o Capacitismo não é fantasia | Rio das Ostras Jornal

Carta Aberta: A deficiência não é adereço e o Capacitismo não é fantasia

 

O vídeo que circula do Prefeito Eduardo Paes na Marquês de Sapucaí,
 utilizando uma bengala e óculos escuros para simular uma deficiência visual
 em tom de deboche, é um soco no estômago de toda a comunidade 
Pcd.

Por Angel Morote

Ativista e Ex-Presidente do Comdef de Rio das Ostras


Ao Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e à Sociedade Civil,

Escrevo esta carta não apenas como jornalista, mas como uma Pessoa com Deficiência (PcD), ativista da causa e como alguém que teve a honra de servir à minha cidade como Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Comdef) de Rio das Ostras. Falo com a autoridade de quem conhece, na pele e no trabalho institucional, o peso das barreiras que enfrentamos todos os dias.

O vídeo que circula do Prefeito Eduardo Paes na Marquês de Sapucaí, utilizando uma bengala e óculos escuros para simular uma deficiência visual em tom de deboche, é um soco no estômago de toda a comunidade Pcd. É um exemplo acabado de capacitismo recreativo: quando a nossa condição de existência é reduzida a uma piada para o entretenimento de quem não enfrenta as nossas lutas.

Prefeito, a bengala de sinalização é um instrumento de liberdade, autonomia e segurança. Não é um brinquedo. Utilizá-la de forma oportunista e jocosa, como se a cegueira ou a baixa visão fossem fantasias de Carnaval, revela um declínio ético e um descompromisso alarmante com a inclusão. Esse tipo de "brincadeira" vinda de um homem público reforça preconceitos, valida o desrespeito e nos afasta da cidadania que tanto buscamos.

Como ex-conselheiro presidente, sei o quanto lutamos para que as instituições e o poder executivo nos enxerguem com dignidade. Agora, vemos diversas entidades que prestam serviços essenciais ao bem-estar dos deficientes se levantarem em reclamações oficiais. E eu me uno a elas. O silêncio do executivo carioca diante dessa ofensa é ensurdecedor e apenas agrava o desrespeito.

Eduardo Paes, a comunidade Pcd não aceita ser o alívio cômico da sua folia. Exigimos uma retratação pública e, mais do que isso, que o senhor aprenda que respeitar as pessoas com deficiência é um dever básico de qualquer gestor. A acessibilidade deve ser política de estado, não motivo de mofa em camarote.

Que este episódio sirva para que outros políticos entendam: nós existimos, resistimos e não toleraremos mais sermos tratados como cidadãos de segunda classe.

Angel Morote

Ativista Pcd

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