Luiz Arantes dos Santos, de 68 anos, foi solto em Campos, e,
sem conhecer a cidade, precisou ser procurado pelos familiares: 'Eu nunca saí
de Miracema. Sou da roça com orgulho'.
Um produtor rural de 68 anos foi preso por engano em Miracema, no Noroeste Fluminense, na
quarta-feira (21), após a expedição de um mandado de prisão preventiva pela
Justiça de São Paulo pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o
tráfico. No entanto, Luiz Arantes dos Santos, que ficou três dias na cadeia,
disse que nunca saiu da cidade onde mora.
Ele contou que foi surpreendido pela ação policial dentro de
casa, enquanto cuidava do neto de quatro anos.
“Eu nunca saí de Miracema. Sou da roça com orgulho e
nunca saí daqui. Eu estava sentado vendo televisão com meu netinho quando ouvi
baterem várias portas. Entrou um monte de polícia dentro da minha casa,
quebrando minhas coisas. Fui falar e mandaram eu calar a boca”, relatou.
O mandado foi expedido pela 1ª Vara Criminal de Botucatu, no
interior paulista, e cumprido por policiais civis da Delegacia de Miracema.
Após a prisão, o idoso foi levado para o presídio de Campos dos Goytacazes, no Norte
Fluminense.
“Me jogaram no chão.
Lá não tinha água para beber, a comida era azeda e o banheiro ninguém
aguentava. Não durmo mais direito, não como direito", explicou.
"Quando vejo um carro de polícia já fico assustado.
Isso acabou com a minha vida”, desabafou o produtor.
Em nota, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro
informou que os dados do suspeito foram confirmados pela Vara Criminal de Botucatu,
responsável pela expedição do mandado, e que os agentes apenas cumpriram a
ordem judicial.
A defesa entrou com um pedido de relaxamento da prisão,
alegando ilegalidade e sustentando que Luiz havia sido confundido com um
homônimo.
De acordo com os advogados, havia mais de uma pessoa com o
mesmo nome no processo, e o verdadeiro autor do crime teria confessado,
informando que mora no estado do Paraná.
Alvará de soltura
Ao analisar o caso, o juiz da Central de Custódia concedeu o
alvará de soltura, ao entender que não havia dados suficientes para confirmar a
identidade do preso. Na decisão, o magistrado destacou a ausência de
informações básicas, como CPF, RG, filiação e data de nascimento.
Ainda segundo a decisão, nem mesmo a Vara de origem, em
Botucatu, conseguiu confirmar a identidade da pessoa presa após contato feito
pela Justiça do Rio.
Um dos seis filhos da vítima, Luiz André Gonçalves, contou
que a família ainda viveu momentos de desespero após a liberação.
“O juiz deu 24 horas para soltar ele. Quando chegamos, os
advogados disseram que o alvará já tinha sido expedido, mas ele não estava mais
lá".
"Ficamos desesperados, porque ele não conhecia a
cidade. Só conseguimos encontrá-lo depois de rodar a rodoviária de Campos
durante a madrugada, com ajuda de pessoas que conheciam o motorista do ônibus
onde ele estava. Foi um alívio”, contou o filho.
O g1 fez contato com o Tribunal de Justiça de São Paulo, que informou que não se manifesta sobre questões jurisdicionais.
Por Lili
Bustilho, Samyra Karyme, Isabela Lauriano, g1 — Miracema


0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!