Na representação, os deputados e o senado Eduardo Girão
sustentam que a conduta atribuída ao ministro extrapola os limites da função
jurisdicional e pode configurar crimes
A bancada do partido Novo acionou a Procuradoria-Geral da
República (PGR) e Polícia Federal (PF) contra o ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, por suposta “interferência atípica”
em procedimentos relacionados ao Banco Master.
Na representação, os deputados e o senado Eduardo Girão
sustentam que a conduta atribuída ao ministro extrapola os limites da função
jurisdicional e pode configurar “crimes como gestão fraudulenta, manipulação de
mercado e lavagem de dinheiro, além de eventuais violações aos princípios da
legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa”.
“A Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal
precisam agir com independência e cumprir seu dever constitucional. A sociedade
exige uma resposta clara das instituições de Estado. Este não é um caso que vai
ser varrido para debaixo do tapete”, afirmou o líder do Novo na Câmara,
deputado Marcel van Hattem (Novo-RS).
Os documentos enviados a PGR e a PF foram separados, e à PF,
foi solicitado a “instauração de procedimento investigatório para apurar os
fatos narrados”, destacando a necessidade de análise técnica e independente
sobre a sequência de atos praticados e seus efeitos práticos. “Os parlamentares
afirmam que o caso exige esclarecimentos aprofundados diante da gravidade
institucional das suspeitas levantadas”.
Toffoli é relator, no STF, das investigações envolvendo
o Banco
Master e passou a ser alvo de críticas de juristas após revelações
sobre relações entre familiares do magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro,
controlador da instituição financeira. As informações levantaram debates sobre
eventual conflito de interesses e a permanência do ministro à frente do caso.
Nesta segunda-feira (26), o ministro Gilmar Mendes saiu em
defesa do colega. Em publicação na rede social X, o decano do Supremo Tribunal
Federal afirmou que a atuação de Dias Toffoli como relator do processo
observa os parâmetros constitucionais e legais.
JP

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