Entregadores foram assassinados durante assaltos em
diferentes pontos do Rio
Rio - Motoboys se reuniram em forma de protesto em frente à
prefeitura de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, na manhã desta
quarta-feira (28), após a morte do entregador Bruno dos Santos Barbosa, 24
anos, baleado em um assalto no Centro do município. O jovem foi o terceiro
motociclista assassinado no Rio em menos de uma semana.
Com gritos de Justiça, "buzinaço" e cartazes em
mãos com frases como "Queremos paz", "Parem de nos
matar" e "Queremos segurança", o grupo reclama
da falta de policiamento e dos frequentes roubos na região. Segundo o
motoboy Sanderson Silva, conhecido como Gaspar, de 30 anos, a categoria precisa
de segurança para trabalhar.
"Estamos aqui para lutar pela nossa vida e pela vida
dos amigos que estão indo embora e ninguém está fazendo nada. Mais um pai de
família que a filha está esperando dentro de casa e ele não vai voltar. Isso
tem que parar! Mais uma vida que se vai, mais uma vida de um trabalhador que se
vai e ninguém faz nada. Está na hora disso parar!", disse Gaspar.
Sanderson ainda carregava o capacete da vítima, que ficou
com marcas de sangue. Segundo testemunhas, bandidos atiraram no rosto de Bruno
e fugiram levando a moto e seus pertences.
Publicidade
Veja vídeo:
Outro motociclista que também participou do protesto,
Nicolas Camara Veloso, 32 anos, revelou que conhecia Bruno e lamentou o
ocorrido.
"É lamentável um pai de família perder a sua vida no
começo do ano. Infelizmente, a gente acorda de manhã e não sabe nem se vai
voltar pra casa. Ele morava perto da minha casa aqui em Coelho da Rocha. Era um
pai de família, tinha mãe, tinha esposa, dois filhos. Infelizmente, perdemos
mais um amigo da classe", afirmou.
Nicolas ainda frisou o aumento do número de assaltos.
"Já é a terceira vítima que vem sofrendo essas consequências por São João
de Meriti. A gente não tem paz, toda hora é um assaltado, é um motoboy, um pai
de família ou uma mãe de família. Infelizmente, quando chega a política, os
vereadores e o prefeito vem querer apertar nossa mão, pedindo voto, mas hoje a gente
não tem apoio deles. Infelizmente, a polícia é só para tirar um moto de
trabalhador, arrecadar dinheiro e não resolve nada", acrescentou.
Ainda na manifestação, o motoboy Luan Nascimento, 22 anos,
contou que só quer o direito de poder ir trabalhar e voltar para casa em
segurança.
"São João de Meriti está largado. A gente só queria mais segurança, o
poder de ir trabalhar e voltar, saber que vai voltar pra casa bem, porque a
gente sai, mas não sabe se volta. Todo dia é um assalto! Sexta-feira, eu saí às
4h50 e dois caras tentaram me assaltar. Eu peguei e fui falar com o policial,
que abaixou a janela da viatura, ouviu e do mesmo jeito que estava, ficou. Ele
passou o rádio mais à frente e conseguiram pegar, graças a Deus. Mas ele não
poderia pegar e tentar ir atrás do ladrão?", questionou.
Luan revelou que chegou a ser vítima de um assalto em 2023. "Os caras
vieram, me assaltaram e ainda levaram minha marmita. Eu estava indo trabalhar,
nem era motoboy ainda. Até quando isso vai acontecer? Ontem foi o rapaz, mas
amanhã, quem sabe, pode ser eu. Então, eu estou aqui para ver se isso acaba, ou
se pelo menos diminui. A gente está procurando uma solução", contou.
Publicidade
Colega de profissão, Glesio Vinícius, de 32 anos, explicou
que já perdeu outros dois amigos por conta da violência. Ele acrescentou ainda
que Bruno não reagiu ao assalto, mas que se assustou deixando a moto cair,
momento em que os bandidos atiraram.
"Ano passado, em menos de quatro meses, morreram dois colegas meus por
tentativa de assalto, mataram os meninos e não levaram o veículo deles. Ontem
houve mais uma tentativa de assalto. O motoboy se assustou, deixou a moto cair
e, na covardia, os bandidos o mataram e foram embora. Essa galera que está
descendo para roubar, hoje em dia já não mais se consideram ladrões, eles
viraram assassinos porque estão matando qualquer um. Eles estão totalmente
violentos, descontrolados", afirmou.
Vinicius relatou também que o protesto ocorre de forma pacífica e pediu por
melhorias. "Até quando o povo carioca, nós motoboys que ralamos na chuva e
no sol, que estamos no dia a dia, de manhã, de tarde, à noite e de madrugada
trabalhando, vamos aguentar essa violência? Até quando? Queremos
Justiça!", complementou.
Na última terça-feira (26), a categoria já havia feito uma manifestação em
Campo Grande, na Zona Oeste, pela morte do entregador de pizza Paulo Vitor de Souza, de 22 anos,
baleado na noite de domingo (24). Ele estava trabalhando quando foi abordado
por criminosos.
No dia 21 de janeiro, o entregador de pizza, Marcelo Julio da Silva, de 52 anos, também
foi assassinado durante uma outra tentativa de assalto na Rua Manuel de Araújo,
em Irajá, Zona Norte do Rio. Na ocasião, imagens de câmeras de segurança da
região registraram o momento em que a vítima saiu de um prédio após realizar
uma entrega e subiu em sua motocicleta. Na sequência, Marcelo foi abordado por
dois homens armados, que também estavam em uma moto. Desesperado, ele jogou a
bolsa de entregas no chão e tentou fugir a pé, mas acabou baleado nas costas
poucos metros depois. Nem a motocicleta e nem a bolsa foram levadas.
O Dia *Colaboração
de Érica Martin

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!