Moraes permitiu que ex-senador cumpra pena de oito anos e 10
meses em casa após a Procuradoria-Geral da República atestar que ele possui
diagnóstico para doença de Parkinson, apneia do sono grave e transtorno afetivo
bipolar
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e
o ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL-SC)
citaram a prisão
domiciliar humanitária concedida ao ex-presidente Fernando Collor ao
defender que o ex-chefe do Executivo Jair Bolsonaro cumpra
sua pena de 27 anos e três meses em casa. Em entrevista concedida a jornalistas
nesta quarta-feira (7), ambos defenderam que o capitão da reserva também
recebeu diagnóstico para apneia do sono e apresenta mais comorbidades do que o
ex-senador eleito pelo estado de Alagoas.
Em 2023, Collor
foi condenado a oito meses e 10 meses de prisão por corrupção
passiva e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava-Jato. Em abril de
2025, o ministro Alexandre de Moraes,
do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou
o cumprimento da pena. O ex-presidente foi preso em uma ala especial do
Presídio Baldomero Cavalcanti de Oliveira, em Maceió, em Alagoas. Dias depois,
o magistrado seguiu parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) que
atestou a condição
de saúde do ex-senador apresentada por sua defesa. Os advogados
argumentaram que o ex-chefe do Executivo possui idade avançada (75 anos à
época) e comorbidades graves, que incluem doença de Parkinson, apneia do sono
grave e transtorno afetivo bipolar.
Desde o ataque à faca na campanha presidencial de 2018,
Bolsonaro fez oito cirurgias. A operação mais recente foi realizada no Natal,
em 25 de dezembro de 2025, para correção
das alças intestinais que, devido a uma fraqueza da parede
abdominal, causavam desconforto e riscos de obstrução. Durante a internação, o
ex-chefe do Executivo também passou por duas
intervenções no nervo frênico para controlar as crises de soluço e
tratamento para apneia do sono.
Aos jornalistas, Michelle afirmou que, em casa, ela sempre
acompanha Bolsonaro para evitar que ele não tenha quedas. O
ex-presidente sofreu um traumatismo craniano leve na terça-feira (6)
ao cair em sua cela na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A
ex-primeira-dama informou que, ao conversar com o marido na manhã do acidente,
não conseguiu tirar muitas informações dele sobre o acidente. Ela afirmou que o
ex-presidente estava com tontura e apático.
“A gente não sabe o exato momento que ele se acidentou.
Conversando com ele, ele não conseguia falar, não se lembrava. Foi pela manhã?
Ele disse que não, porque não tinha luz do dia”, contou a ex-primeira-dama.
A presidente do PL Mulher declarou que solicitou relatório
para saber que horas o quarto de Bolsonaro foi aberto na terça. Segundo a
ex-primeira-dama, a equipe médica da Superintendência tem de administrar o
primeiro medicamento no ex-presidente às 8h. Ela contou que foram dadas
informações diferentes sobre o horário.
Carlos Bolsonaro acrescentou que, devido à saúde de seu
pai, acredita
que acidentes similares podem voltar a acontecer caso Bolsonaro
continue detido na Superintendência da PF. O ex-vereador disse que “o melhor é
que [o ex-presidente] seja acompanhado por sua esposa, filha e família” em
casa.
“Eu acredito que o que está nos autos não está sendo seguido
na vida real”, disse ao defender a prisão domiciliar ao pai. O segundo filho de
Bolsonaro ainda afirmou que “parece” que o ex-presidente sofre uma “perseguição
política porque não se rendeu aos caprichos de outra pessoa”, sem citar nomes.
JP

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