Lula a Toffoli: Você pode reescrever sua biografia em caso Master, diz jornal | Rio das Ostras Jornal

Lula a Toffoli: Você pode reescrever sua biografia em caso Master, diz jornal

Lula se encontrou com o ministro Dias Toffoli para tratar do caso Master. FÁTIMA MEIRA/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO E ANTONIO AUGUSTO/STF

Encontro fora da agenda oficial contou com a presença de Fernando Haddad e abordou detalhes das operações do banco

O presidente Lula (PT) se reuniu com o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no início de dezembro, para tratar de questões relacionadas ao Banco Master. No encontro, o petista disse ao ministro que ele poderia “reescrever sua biografia” com as investigações sobre o banco Master. As informações são do jornal O Globo.

O encontro, realizado na Granja do Torto, ocorreu fora da agenda oficial e aconteceu logo após o magistrado decretar sigilo absoluto sobre o processo que envolve a instituição financeira.

De acordo com o jornal, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também participou do almoço. Durante a conversa, Haddad teria explicado de forma detalhada as complexidades do caso e o modo de operação de Daniel Vorcaro, controlador do banco.

Apesar do diálogo, a postura do magistrado até agora não sinaliza mudanças. Na última semana, Toffoli teria tentado marcar um novo encontro com Lula para o início de fevereiro, mas não obteve resposta do presidente.

Toffoli é alvo de representações

A condução do caso Master pelo ministro Dias Toffoli motivou seis representações contra o magistrado em diferentes órgãos, como a Procuradoria-Geral da República (PGR), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Senado Federal.

Desde a liquidação do Master, em novembro de 2025, a relatoria de Toffoli é contestada por decisões que não são comuns do ponto de vista jurídico. O ministro também passou a ser questionado por ligações com alvos da investigação.

O presidente do STF, Edson Fachin, defendeu a atuação de Toffoli no caso Master. Em nota, Fachin afirmou que a conduta do relator é “regular”, e que eventuais contestações dos atos processuais serão debatidas pelo tribunal no retorno do recesso.

Como revelou o Estadão, a família de Toffoli vendeu sua participação no resort Tayayá para o cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, também investigado por fraudes financeiras. Essa operação foi intermediada por uma empresa em nome do irmão de Toffoli, sediada em uma casa em Marília, no interior de São Paulo. A cunhada de Toffoli, porém, negou que o marido tenha tido quotas societárias no resort.

Das seis representações contra Toffoli, cinco são pedidos de suspeição. Enquanto um desses pedidos já foi negado pela PGR, outros quatro aguardam um parecer do procurador Paulo Gonet. Além das arguições para afastar o relator do caso Master, Toffoli é alvo de um pedido de impeachment protocolado no Senado

Entenda o caso

As liquidações do Banco Master, decretada pelo BC em novembro de 2025, e da gestora de investimentos Reag, na quinta-feira (15), revelaram um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro. O caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias, uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos, tentativas de socorro via banco público e tensões entre o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU) com o BC e PF.

“A decretação do regime especial nas instituições foi motivada pela grave crise de liquidez do conglomerado Master e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN”, informou o BC em nota na época.

De forma extrajudicial, foram liquidados o Banco Master S/A, do Banco Master de Investimento S/A, do Banco Letsbank S/A, e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhada da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Como resultado, no dia 17 de novembro, o dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso. Depois, ele foi solto com uso de tornozeleira eletrônica.

A PF também quebrou os sigilos bancário e fiscal de 101 pessoas e entidades investigadas no caso do Banco Master. A medida foi autorizada em 6 de janeiro pelo ministro Dias Toffoli, do STF.

De acordo com a decisão, a apuração aponta indícios da prática de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento de investidores em erro, uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de capitais.

“Também verifico que, na linha do que consignado pelo Procurador-Geral da República e pela Polícia Federal, que há elementos suficientes que apontam para o ‘aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização, notadamente mediante o uso de fundos de investimento e intrincada rede de entidades conectadas entre si por vínculos societários, familiares ou funcionais.’”, argumentou Toffoli.

JP 

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