Com destino incerto, Erfan Soltani é acusado de fazer
propaganda contra o regime islâmico iraniano e de agir contra a segurança
nacional
O Irã anunciou,
nesta quinta-feira (15), que um
manifestante cujo destino preocupa Washington e os defensores dos direitos
humanos não será condenado à morte após sua recente detenção no país,
onde o presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump,
ameaçou com uma operação militar.
A República Islâmica vive uma intensa onda de protestos que
começou em 28 de dezembro devido ao aumento do custo de vida e se transformou
rapidamente em um movimento contra o regime teocrático no poder desde a
revolução de 1979.
Grupos de direitos humanos denunciaram que as autoridades
iranianas estão exercendo a repressão mais severa em anos neste país de 86
milhões de habitantes, aproveitando o corte da internet instaurado em 8 de
janeiro.
Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega,
as forças de segurança iranianas já mataram pelo menos 3.428 manifestantes
durante os recentes protestos. Também detiveram mais de 10.000 pessoas, embora
o balanço real provavelmente seja muito maior, indicou.
As autoridades não forneceram um balanço oficial por
enquanto, já que a identificação das vítimas ainda está em andamento, segundo
uma autoridade de alto escalão.
Diante das informações que circularam sobre a repressão, o
mandatário americano ameaçou repetidamente com uma intervenção militar no país.
Na quarta-feira, no entanto, afirmou
que lhe haviam comunicado “de boa fonte” que “a matança no Irã está diminuindo,
cessou”. “E não há planos de execuções” de detidos, acrescentou.
Quando um jornalista da AFP lhe perguntou se uma intervenção
militar havia sido descartada, Trump respondeu: “Vamos observar e ver o que
acontece depois”.
Tanto os Estados Unidos quanto organizações de defesa dos
direitos humanos expressaram sua preocupação com o destino de Erfan Soltani, um
manifestante de 26 anos detido no sábado e que, segundo eles, enfrentava uma
execução iminente.
Teerã negou nesta quinta-feira que o manifestante tenha sido
condenado à morte e pudesse ser executado. Preso em Karaj, perto de Teerã,
Soltani é acusado de propaganda contra o regime islâmico iraniano e de agir
contra a segurança nacional, indicou o órgão judicial iraniano.
O jovem “não foi condenado à morte” e, em caso de
condenação, “a pena, de acordo com a lei, será de prisão, porque a pena de
morte não se aplica a tais acusações”, afirma um comunicado do Poder
Judiciário.
Reunião do Conselho de Segurança
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi,
afirmou na quarta-feira que não haveria execuções “nem hoje nem amanhã”, em
entrevista à emissora americana Fox News.
No mesmo dia, as autoridades anunciaram que implementariam
julgamentos “rápidos” para os detidos nas mobilizações.
“Qualquer pessoa que se encontre nas ruas desde 8 de janeiro
é, sem sombra de dúvida, considerada criminosa”, declarou também o ministro da
Justiça, Amin Hossein Rahimi.
O Conselho de Segurança
das Nações Unidas prevê reunir-se nesta quinta-feira, a pedido dos
Estados Unidos, para “uma sessão informativa sobre a situação no Irã”, segundo
sua presidência.
Após o pico de concentrações registrado no fim da semana
passada, as autoridades tentaram na quarta-feira retomar o controle das ruas
com uma “marcha de resistência nacional” e os funerais de mais de 100 membros
das forças de segurança e outros “mártires” mortos nos protestos.
“Morte aos Estados Unidos!”, diziam os cartazes de alguns
participantes, enquanto outros carregavam fotos do líder supremo, o aiatolá Ali
Khamenei, e bandeiras da República Islâmica, segundo um jornalista da AFP.
Segundo o chefe da diplomacia iraniana, “agora há calma” no
país, e as autoridades têm “controle total” da situação.
Araghchi disse também que seu país se defenderá “de qualquer
ameaça estrangeira”, em conversa telefônica nesta quinta-feira com seu homólogo
saudita, Faisal bin Farhan.
Diante dessas “tensões regionais”, o Catar informou a saída
de parte do pessoal da base americana de Al Udeid, a mais importante do Oriente
Médio.
O Reino Unido também anunciou o “fechamento temporário” de
sua embaixada em Teerã, enquanto Espanha e Índia pediram a seus cidadãos que
deixem o país.
*Com AFP

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