O debate
sobre medicamentos falsificados tem ganhado ainda mais visibilidade
recentemente, inclusive em produções audiovisuais que abordam os impactos desse
tipo de prática na vida dos consumidores. Fora da ficção, o tema é uma
preocupação real das autoridades sanitárias, especialmente pelos riscos diretos
que oferece à saúde da população.
Atenta a
esse cenário, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ)
reforça o alerta para que os consumidores redobrem a atenção no momento da
compra de medicamentos. A adulteração desses produtos pode comprometer
tratamentos, agravar doenças e provocar consequências sérias à saúde dos pacientes.
“Medicamentos
irregulares representam um risco direto à saúde, porque o paciente acredita
estar se tratando corretamente quando, na verdade, pode ter o efeito contrário,
agravando a sua situação”, explica a superintendente de Vigilância Sanitária da
SES-RJ, Helen Keller.
Para se proteger, o consumidor deve sempre comprar em estabelecimentos regularizados, além de ter atenção aos detalhes da embalagem, conforme destaca a coordenadora de Vigilância e Fiscalização de Insumos, Medicamentos e Produtos da SES-RJ, Rosa Melo. “É importante que a população esteja atenta e saiba reconhecer sinais que indiquem possíveis irregularidades, evitando riscos desnecessários à saúde”, orienta.
Para apoiar
esse processo de conscientização, o farmacêutico Sérgio Guerreiro, da Divisão
de Medicamentos da Superintendência de Vigilância Sanitária (Suvisa)/SES-RJ,
traz orientações práticas sobre como identificar indícios de falsificação. O
consumidor pode observar detalhes na própria embalagem e, assim, se proteger de
possíveis fraudes.
O que
caracteriza um medicamento falsificado e por que ele oferece riscos?
O
medicamento falsificado não contém ou contém uma quantidade alterada do
princípio ativo que deveria trazer na sua atividade farmacológica para combater
a doença. Temos uma novela no ar que traz ao debate a ausência do princípio
ativo. O paciente faz o tratamento, segue a orientação médica, a posologia e,
no entanto, não observa a melhora. Pelo contrário, vê a evolução da doença, com
piora significativa. Esse é o principal risco.
Quais
sinais visuais devem ser observados na embalagem?
As
falsificações estão ficando cada vez mais elaboradas, mas alguns sinais que são
característicos podem ser observados e levados em conta. Caso o fabricante
utilize lacre nas suas embalagens, verificar se não está violado. Se for um
laboratório cujo medicamento o paciente faz uso contínuo, verificar se o lacre
permanece o mesmo, se houve modificação na cor, na embalagem, no formato, no
tamanho.
Verificar se
o lote e a validade estão legíveis, além de serem os mesmos na embalagem
externa e na interna. Porém, alguns laboratórios têm pequenas diferenças do
número de lote interno e externo e, às vezes, têm adição ou redução do número
total, acrescentando ou retirando letras ou números, mas a maior parte da
numeração será igual. Caso haja dúvida, o consumidor deve entrar em contato
com o laboratório. Também é possível consultar o registro na Anvisa, de posse
do CNPJ e do nome do medicamento.
Observe as
condições da embalagem, se teve alteração, se apresenta lote, validade, código
de barras bem impressos e legíveis. Os laboratórios que prezam pela qualidade
costumam acoplar dispositivos de segurança na área externa das embalagens dos
medicamentos. É um campo que se pode raspar com uma moeda, fazendo aparecer a
palavra "qualidade" e o nome do laboratório logo abaixo. Às vezes, surge
até o logotipo do laboratório. O registro no Brasil é apresentado, logo no
início, com os números 7, 8 e 9. O restante da codificação é particular do
laboratório, que também ajuda no rastreio desse medicamento.
O que
deve ser verificado no rótulo e na bula?
É importante conferir o número de registro que aparece após as letras “MS”, que é o registro do Ministério da Saúde. O consumidor pode consultar esse registro no site da Anvisa para confirmar se o produto é regularizado. Informações como CNPJ do fabricante, responsável técnico e dados de contato também devem estar presentes.
É
possível checar o registro do medicamento na hora da compra?
Sim. Embora demande tempo, a consulta no site da Anvisa pode ser feita pelo próprio celular. O SAC do fabricante também é uma fonte confiável para confirmar a autenticidade ou tirar dúvidas.
Preços
muito abaixo do normal são um alerta?
Em geral, há uma média de preços em torno do qual gira o valor do medicamento. O preço é regulado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), que é um setor da Anvisa, então ele não deve variar muito. Se o preço estiver muito diferente, muito discrepante do preço da média, há de se ter cuidado. É interessante tentar entender o motivo, como, por exemplo, preços promocionais por proximidade ao prazo de validade do produto. Resumindo: tenha atenção a ofertas com preços muito abaixo do mercado.
Os
medicamentos que custam mais caro são visados por falsificadores?
Sim. Os
medicamentos de custo mais alto são muito interessantes para os falsificadores
porque eles dão um retorno rápido. A falsificação permite que pouca quantidade
desses medicamentos que chegam ao mercado forneça lucro imediato aos
falsificadores.
Medicamentos
vendidos pela internet oferecem mais risco?
A lei exige
que a venda de medicamentos pela internet só seja permitida para empresas que
possuem loja física. Então, se há um site de uma determinada farmácia vendendo
medicamentos, nesse site deve constar informações que possam identificar a
farmácia, inclusive constando o endereço da loja física. Além disso, o site
precisa trazer outras informações, como, por exemplo, o nome do responsável
técnico pela farmácia, o CNPJ, a autorização de funcionamento emitida pela Anvisa,
o nome fantasia e a razão social.
O que
fazer ao suspeitar de um medicamento falsificado?
Na suspeita
de um medicamento falsificado e mesmo após a aquisição dele, se for um
medicamento de uso contínuo, no qual o paciente já faça uso há algum tempo, e ele
está sentindo que não está fazendo efeito ou que está tendo efeitos colaterais
que nunca teve antes, a primeira coisa é suspender o medicamento. Procure
imediatamente o médico, falando da suspeita e dos sintomas. A seguir, o que se
pode fazer de imediato é entrar em contato com o SAC da empresa produtora do
medicamento, que irá orientar o consumidor sobre quais informações devem ser
fornecidas para que a empresa analise a possibilidade de uma falsificação. Além
disso, o consumidor pode e deve notificar as autoridades sanitárias de todas as
esferas. No que se refere à Vigilância Sanitária estadual, o contato é via
Ouvidoria 0800 025 5525 e, ainda, há outros canais disponíveis no site https://www.saude.rj.gov.br/ouvidoria/participe
Como a
Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro atua na
fiscalização?
O papel da
Superintendência de Vigilância Sanitária (Suvisa) da SES-RJ é coordenar e
orientar as vigilâncias municipais. Cabe a nós, também, a fiscalização da
indústria farmacêutica que produz os medicamentos no estado do Rio, garantindo
que as normas técnicas e requisitos de segurança sejam cumpridos. Observamos,
por exemplo, se a linha de produção está de acordo com as normas aplicáveis,
inspecionamos equipamentos e procedimentos. Resumindo: inspecionamos para
verificação do cumprimento das boas práticas de fabricação. A Vigilância
Sanitária estadual é responsável por verificar as boas práticas de fabricação
de fabricantes do estado. As inspeções em farmácias e distribuidoras são de
competência das vigilâncias municipais, de acordo com a Resolução SES 1058 de
2014.
Por que o
controle sanitário é tão importante?
O controle sanitário é importante porque ele garante que as normas técnicas, baseadas em conhecimento científico e que têm como finalidade a proteção e a prevenção de agravos à saúde, sejam cumpridas. Isso tanto para a produção de medicamentos, como para todos os produtos de interesse à saúde. A missão da fiscalização é garantir que esse controle seja mantido, ou seja, fazer a manutenção dessas normas para que não haja desvios ao longo do tempo.
Por que a
orientação médica é essencial?
Estamos
vivendo uma época em que a divulgação das informações, de toda natureza, pela
internet é muito rápida. Especialmente agora, com o advento da inteligência
artificial, que é uma boa ferramenta, mas que não resolve todos os problemas.
Portanto, é insubstituível a opinião do médico, que é o profissional habilitado
para prescrever medicamentos de acordo com as suas necessidades. As pessoas são
diferentes, possuem hábitos, necessidades e organismos diferentes. Mesmo
que você seja levado pela ansiedade de adquirir um medicamento novo, que talvez
possa resolver um problema que o frustra há muito tempo, ou uma doença que o
faz sofrer e você sente necessidade de corrigir. Em todos os cenários, é
necessária uma avaliação médica. A mesma dosagem para uma pessoa pode ser
tóxica e até letal para outra. Precisamos de saúde, mas com segurança!

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!