A condenação contra Kim é a primeira contra uma ex-primeira-dama na história da Coreia do Sul. EFE/EPA/JUNG YEON-JE / POOL
Kim Keon-hee recebe pena de 1 ano e 8 meses de prisão por
aceitar subornos da Igreja da Unificação e de um xamã em troca de favores para
a organização
O tribunal da Coreia do Sul condenou nesta quarta-feira (28)
a ex-primeira-dama do país asiático, Kim Keon-hee, a um ano e oito meses de
prisão por corrupção, após declará-la culpada de aceitar subornos da
controversa Igreja da Unificação.
Kim foi sentenciada por aceitar, em 2022, presentes de luxo
de um xamã e de membros da Igreja da Unificação em troca de favores para a
organização, segundo determinou o Tribunal do Distrito Central de Seul em
uma audiência transmitida ao vivo pela televisão. A sentença também contempla o
pagamento de uma multa de cerca de US$ 9 mil.
A condenação contra Kim, a primeira contra uma
ex-primeira-dama na história da Coreia do Sul, é consideravelmente menor
que os 15 anos de prisão pedidos pelo Ministério Público, que também havia
solicitado uma multa de mais de US$ 1 milhão.
Finalmente, o tribunal considerou Kim culpada apenas por
aceitar alguns dos bens indicados pelos promotores. A ex-primeira-dama foi
absolvida da acusação de financiamento político irregular, assim como da
suposta manipulação de ações da Deutsch Motors, distribuidora local da BMW,
entre 2010 e 2012.
Kim, em prisão preventiva desde agosto, enfrenta outros dois
processos judiciais: um por seu suposto envolvimento no recrutamento em massa
de membros da Igreja da Unificação para se filiarem ao então governista Partido
do Poder Popular (PPP), e outro por supostamente aceitar presentes de luxo em
troca de favores trabalhistas no governo.
A líder da organização, pejorativamente conhecida como
“seita Moon”, Han Hak-ja, e o ex-chefe da sede global da igreja, Yun Yeong-ho,
também enfrentam processos judiciais em meio a um crescente escrutínio no país
asiático contra esta instituição, conhecida por seus casamentos coletivos, bem
como por sua influência política e econômica internacional.
A decisão ocorre dias depois de o marido de Kim, o
ex-presidente Yoon Suk-yeol, ter sido sentenciado a cinco anos de prisão em um
dos oito processos judiciais que enfrenta, metade deles relacionados à sua fracassada
imposição da lei marcial em dezembro de 2024, que resultou em sua
destituição.
*Com EFE

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