O piloto de asa-delta envolvido no acidente
que resultou na morte de Philip Haegler, em São Conrado, na Zona Sul do
Rio, no último dia 20, admitiu que errou por instantes e colidiu contra o
parapente do empresário.
g1 teve acesso com exclusividade ao depoimento do piloto,
que disse ter tentado evitar a colisão, mas não conseguiu. Afirmou ainda que
Philip Haegler tinha preferência de voo e não errou.
O g1 teve acesso com exclusividade ao depoimento do
instrutor de asa-delta Sergio Manoel da Silva, tomado na quarta-feira (26). O
piloto disse que voava com um aluno e afirmou ter causado o acidente. Segundo
ele, Phil não cometeu erro algum.
Piloto de voo e bicampeão brasileiro de asa-delta, Philip
Eric Haegler faria 60 anos dois dias após morrer. Ele despencou
de cerca de 45 metros ser atingido pela asa-delta, perder o controle e atingir
a fachada de um prédio na Avenida Prefeito Mendes de Morais, na altura do 11º
andar. Um
vídeo mostra o acidente.
O piloto afirmou que, ao se aproximar da área de pouso,
olhou para baixo para soltar a perneira do aluno, uma manobra padrão, e perdeu
a visão do parapente de Haegler por "cerca de três segundos".
Ao olhar novamente para frente, Sergio Manoel disse que se
assustou ao ver o parapente conduzido por Haegler e tentou fazer um movimento
brusco, mas não conseguiu evitar a colisão.
Afirmou ainda que a barra da asa-delta e seu corpo
encostaram no parapente, e que ficou desesperado ao perceber que Haegler não
conseguiu recuperar o voo.
Preferência era de Phil
Sergio ressaltou que, de acordo com as regras do Código de
Aviação Desportiva, o piloto que está mais abaixo tem preferência, e que,
naquele momento, a prioridade era de Haegler. Declarou que o acidente foi
causado por um descuido de segundos e que Haegler não teve culpa.
O piloto disse ainda que era admirador de Haegler, a quem
considerava um ídolo e de quem já recebeu ensinamentos. Sergio afirmou estar
abalado com o ocorrido, busca apoio psicológico e se colocou à disposição das
autoridades para esclarecimentos.
A 15ª DP (Gávea) apura o caso. O instrutor pode ser
indiciado por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar.
"Com certeza não houve dolo, mas houve responsabilidade
e uma falha técnica, sim, desse piloto de asa-delta. Foi uma desatenção, errou
por dois segundos, o Phil não teve a menor chance, é bom que ficar claro e
registrado, de se defender dessa colisão", disse José Carlos Srour, amigo
de Phil e presidente do Clube São Conrado de Voo Livre.
Dia de homenagens em São Conrado
Phil Haegler era um dos nomes mais conhecidos do voo livre
no Brasil, com décadas de experiência e participação ativa em competições e
eventos.
Nesta quinta, amigos e familiares fizeram uma grande
homenagem em São Conrado. O Gramado do Clube São Conrado de Voo Livre
foi batizado com o nome dele: Campo de Pouso Phil.
O piloto foi referência para gerações do voo livre.
Era amigo
e companheiro de saltos de Pepê, morto no Japão em 1991, também em um
acidente esportivo.
"O Phil foi o representante do meu pai ao longo de
toda a minha vida. Perdi meu pai quando eu tinha um 1 e meio de idade, e todo o
conhecimento que tive ao longo da minha vida veio através do Phil", disse
João Pedro Gayoso de Almendra, filho de Pepê.
Acidente fatal com empresário em São Conrado — Foto: Arte/g1
Por g1 Rio

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!