Ex-presidente Jeanine Áñez é libertada após quatro anos e sete meses de prisão na Bolívia | Rio das Ostras Jornal

Ex-presidente Jeanine Áñez é libertada após quatro anos e sete meses de prisão na Bolívia


A ex-presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, foi libertada nesta quinta-feira (6) após cumprir quatro anos e sete meses de prisão em um processo conhecido como “Golpe de Estado II”, que investigava a crise política de 2019, que resultou na renúncia de Evo Morales.

Añez deixou a cadeia de Miraflores às 11h, acompanhada de seus dois filhos e segurando uma bandeira da Bolívia, sendo recebida por apoiadores.

 “Jamais vou me arrepender de ter servido à minha pátria quando ela precisou. Esse é o compromisso que todo boliviano que ama seu país deve assumir. Eu o fiz, mesmo sabendo que teria um custo”, declarou, usando um megafone para se dirigir aos simpatizantes, reafirmando a “convicção e boa-fé” com que assumiu o governo.

A ex-mandatária também denunciou ter sido tratada “como uma verdadeira criminosa, sem compaixão alguma” e afirmou que “foi preciso que o monstro saísse para que os administradores da Justiça pudessem atuar conforme a lei”, em referência à derrota do Movimento ao Socialismo (MAS) nas eleições de 17 de agosto.

Na quarta-feira (5), o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) anulou a sentença de 10 anos de prisão aplicada a Áñez e determinou sua libertação imediata, após acatar uma revisão extraordinária de sentença apresentada pela defesa. Os advogados argumentaram que ela deveria ter sido julgada por processo de responsabilidades, e não pela via ordinária, como ocorreu.

Áñez havia sido condenada em junho de 2022 por assumir ilegalmente a presidência do país, ocupando a linha de sucessão constitucional como segunda vice-presidente do Senado, após a renúncia de Morales. A crise política de 2019 é interpretada de maneiras diferentes: aliados do governo classificam como “golpe de Estado”, enquanto opositores afirmam que foi consequência de um fraude eleitoral nos comícios daquele ano.

 “Neste país jamais houve um golpe de Estado; o que houve foi uma fraude eleitoral”, afirmou Áñez ao deixar a prisão.

O caso da ex-presidente, assim como o de outros opositores detidos por acusações semelhantes, gerou debates nacionais e internacionais. Diversos órgãos de direitos humanos expressaram preocupação com o processo judicial e com as condições em que Áñez permanecia detida. Na Bolívia, o episódio provocou discussões intensas sobre a forma como assumiu o poder, a repressão militar nas primeiras semanas de seu governo e a judicialização do conflito político.

Gazeta Brasil

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