Em resposta ao STF, governador afirma
que megaoperação seguiu princípios de legalidade e proporcionalidade
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio
Castro (PL), afirmou ao ministro do STF (Supremo Tribunal
Federal) Alexandre
de Moraes nesta segunda-feira (3) que as forças policiais não
exageraram na megaoperação realizada
em 28 de outubro nos complexos
da Penha e do Alemão, que terminou com 121 mortos, entre eles quatro
policiais.
Castro e Moraes se encontraram no Rio
nesta segunda para o governador apresentar explicações sobre a ação policial.
Em resposta aos questionamentos feito
pelo ministro, Castro sustentou que a ação — chamada Operação Contenção — foi
proporcional à ameaça letal representada pela organização criminosa e
necessária para conter o avanço do Comando Vermelho.
Segundo o governador, o confronto não
foi uma operação policial comum, mas um “enfrentamento a organização criminosa
altamente estruturada, fortemente armada e com histórico de resistência
violenta em um de seus centros de comando, o que demandou planejamento
operacional robusto e emprego de recursos táticos proporcionais à ameaça
representada”.
Castro classificou a operação como uma
resposta necessária ao que chamou de “organização narcoterrorista”,
argumentando que, diante do poder de fogo do crime organizado, o uso intenso da
força pelas autoridades é “legítimo e indispensável para restabelecer a ordem e
preservar vidas”.
Ele afirmou que o uso da força se
limitou ao armamento padrão das forças de segurança, com fuzis semiautomáticos,
pistolas e viaturas blindadas, e que o nível de reação foi compatível com o
poder bélico dos criminosos, que teriam empregado fuzis automáticos de uso
militar, armas de calibres .50 e .30, granadas e até drones.
Castro destacou que, com exceção dos
quatro agentes mortos, “não há notícias de óbitos referentes a indivíduos não
pertencentes à organização narcoterrorista, o que indica a limitação da atuação
policial exclusivamente sobre o grupo”.
O governador também afirmou que houve
preocupação em preservar a população civil, concentrando os confrontos em áreas
de mata e evitando a atuação próxima a escolas e residências.
A Operação Contenção observou os
princípios da legalidade, necessidade, proporcionalidade, moderação e
conveniência, nos termos da Portaria do Ministério da Justiça nº 855/2025. A
legalidade decorreu do cumprimento de mandados judiciais; a necessidade e a
proporcionalidade foram aferidas diante da resistência de facção fortemente
armada; a moderação foi buscada ao concentrar o confronto em área de mata,
afastando-o de zonas edificadas; e a conveniência resultou da ameaça iminente
representada pelo avanço territorial da facção à segurança pública e à paz
social.
(Governador Cláudio Castro, em
resposta a Alexandre de Moraes sobre megaoperação policial no RJ)
O governador ainda afirmou que, apesar
de dificuldades enfrentadas pela perícia técnica durante o confronto — e da
remoção de corpos por terceiros —, foi aberto um inquérito para apurar
possíveis irregularidades, o que, na visão do governo, reforça o compromisso
com a responsabilização.
“Diante da remoção e descaracterização
de corpos antes da atuação pericial – fato amplamente noticiado na mídia e que
dificultou a preservação do local –, instaurou-se inquérito na 22ª Delegacia de
Polícia da Penha para apurar eventual crime de fraude processual. Também foram
objeto de registro de ocorrência as mortes ocorridas durante a operação”, disse
Castro.
R7

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