10/16/2025

PGR recua e solicita novas investigações sobre suposta interferência de Bolsonaro na PF

Segundo Moro, Jair Bolsonaro teria tentado interferir na Polícia
 Federal. Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo

Suspeita surgiu quando o então ministro da Justiça Sergio Moro anunciou saída do governo Bolsonaro

PGR (Procuradoria-Geral da República) solicitou novas investigações sobre a suposta interferência do ex-presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal durante o mandato dele. Em 2022, o órgão tinha recomendado o arquivamento do caso.

Em março daquele ano, a PF havia concluído que Bolsonaro não cometeu crime na troca do comando da corporação em 2020 — episódio que culminou na demissão de Sergio Moro, então ministro da Justiça e Segurança Pública.

O caso levou à abertura de um inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) para apurar uma possível interferência do presidente nas atividades da Polícia Federal.

Segundo a PGR, o novo posicionamento decorre da necessidade de realizar diligências complementares que permitam uma análise mais ampla e detalhada dos fatos investigados.

“É imprescindível verificar com maior amplitude se efetivamente houve interferências ou tentativas de interferência nas investigações apontadas nos diálogos e no depoimento do ex-ministro, mediante o uso da estrutura do Estado e a obtenção clandestina de dados sensíveis”, diz o documento.

As petições fazem parte de um conjunto de investigações sobre uma suposta organização criminosa que teria promovido ataques sistemáticos a autoridades, ao sistema eleitoral e a instituições públicas.

O grupo seria responsável pela obtenção ilegal de dados sigilosos, pela propagação de fake news e pelo uso indevido de estruturas da Abin e do GSI.

Relembre o caso

De acordo com as declarações de Sergio Moro, a troca na Direção-Geral da PF e os pedidos de mudança nas superintendências regionais do Rio de Janeiro e de Pernambuco teriam como real motivação o acesso a informações privilegiadas sobre investigações sigilosas.

O objetivo seria permitir ingerência em apurações que envolviam o então presidente, seus familiares e aliados políticos.

Moro também relatou que Bolsonaro reclamava da “falta de acesso a relatórios de inteligência da PF”, apontando isso como uma das razões para a substituição no comando.

A análise de mensagens de WhatsApp trocadas entre Bolsonaro e Moro mostra que, em 22 de abril de 2020, o ex-presidente informou a decisão de demitir o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, afirmando: “Moro, o Valeixo sai essa semana. Isto está decidido.”

Na sequência, Bolsonaro enviou um link de uma reportagem intitulada “PF na cola de 10 a 12 deputados bolsonaristas”, reforçando, no dia seguinte: “Mais um motivo para a troca.”

R7

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