Como parte das ações de combate à
evasão do Ensino Médio – propostas num estudo da Firjan SESI em parceria com o
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) –, a Escola Firjan
SESI implementou o programa “Dever de Casa”, um auxílio-financeiro que vai
somar um total R$ 3 mil por aluno até o fim do ano letivo. A iniciativa
contempla 733 jovens em situação de vulnerabilidade social matriculados no
Ensino Médio das escolas Firjan SESI de todo o estado do Rio – cujo desempenho
no último Enem levou 60 alunos a passarem nos três primeiros lugares em
universidades públicas diversas, como UFF e UFRJ.
O benefício já está sendo
creditado na conta bancária de titularidade do próprio estudante que, para
participar, deve ter a família registrada no Cadastro Único para Programas
Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e no Programa Bolsa Família. Para
permanecer no Dever de Casa, também é necessário que o estudante tenha um
percentual mínimo mensal de 80% de frequência escolar; aprovação integral na
série (sem recuperação); nota mínima de 60% em todas as disciplinas
curriculares (incluindo os cursos técnicos); entre outras ações. Ao longo do
ano, o jovem receberá um total de R$ 2 mil, em parcelas ao longo dos meses
letivos, além de uma parcela única de R$ 1 mil em dezembro referente à
aprovação na série cursada, num total de R$ 3 mil.
“Esta é mais uma das iniciativas
da Firjan SESI, e uma das mais importantes, para combater a evasão escolar no
Ensino Médio, uma tragédia silenciosa que amplifica desigualdades sociais e
impacta a economia brasileira Estamos falando de centenas de famílias
fluminenses que poderão ter um pouco mais de estabilidade no presente, para que
o jovem consiga construir seu futuro com maior tranquilidade”, disse o
presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano.
Um exemplo das dificuldades por
que passam alguns estudantes – e da superação necessária – é Samuel da Silva
Alexandre, de 19 anos. Morador de Campo Grande, ele conseguiu, há três anos,
uma bolsa de 100% de gratuidade na Escola Firjan SESI Laranjeiras. À época com
15 anos, nunca tinha sequer pensado em sair sozinho de seu bairro – mas o maior
desafio foi outro: pagar os R$ 21 necessários diariamente para a
passagem.
“Meu pai teve de justificar
minhas faltas várias vezes, pois precisávamos usar o dinheiro para pagar
contas. Eu também precisava levar marmita, mas muitas vezes azedava – e tive a
sorte de fazer grandes amigos que dividiam suas refeições comigo. Ficava com
vergonha de pedir ao meu pai, pois seriam mais R$ 20, né. Às vezes ele tinha,
mas eu preferia guardar para garantir a passagem quando faltasse”, contou
Samuel, que acordava às 4h para conseguir chegar no horário na escola, onde às
vezes ficava até 23h estudando para o vestibular – e acabou passando para
Engenharia de Produção na Uerj ZO, oitava profissão com maior salário inicial,
segundo estudo da Firjan.
Vinícius Cardoso, diretor de
Educação e Cultura da Firjan SENAI SESI, ressaltou a importância da educação no
combate às desigualdades sociais. “Embora tenhamos um índice de evasão
relativamente baixo, fruto de outras iniciativas, como a qualidade do ensino, a
estrutura escolar, a pedagogia orientada a projetos, entre outras; o programa
‘Dever de Casa’ será uma adição fundamental ao nosso repertório, ratificando o
compromisso da instituição com a educação de seus alunos, com a Indústria e com
toda a Sociedade”, disse Vinícius Cardoso.
Combate à evasão escolar
Apenas 6 em cada 10 brasileiros
concluem o Ensino Médio até os 24 anos (60,3%), enquanto no Chile chega a
93,4%. O índice brasileiro é ainda mais baixo entre os estudantes de menor
renda: apenas 46% dos jovens do quinto mais pobre da população concluem o
ensino médio até os 24 anos, enquanto entre os mais ricos esse número
ultrapassa 94%.
Vinícius Mano, gerente de
Educação Básica da Firjan, reforçou a importância da iniciativa. “O apoio
financeiro é uma das estratégias mais eficazes identificadas no estudo sobre a
evasão escolar, ao lado de outras já empreendidas pela Firjan SESI como o
ensino técnico integrado, a ampliação do tempo de permanência na escola e ações
de incentivo à participação ativa dos alunos, como vemos acontecer nas aulas e
competições de robótica”, disse Vinícius Mano.
A parceria da Firjan SESI com o
PNUD também identificou os principais obstáculos e reuniu quase 100
experiências nacionais e internacionais de referência no combate à evasão.
Entre as barreiras está a desigualdade social e a ausência de políticas de
permanência escolar, e entre os projetos para combater a evasão está justamente
a oferta de apoio financeiro aos estudantes em situação de vulnerabilidade –
iniciativa esta que, agora, está sendo implementada pela Firjan SESI.

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