Congresso peruano alcança votos para impeachment da Presidente Dina Boluarte | Rio das Ostras Jornal

Congresso peruano alcança votos para impeachment da Presidente Dina Boluarte

Presidente do Peru, Dina Boluarte, durante cerimônia 
oficial em Lima — Foto: Agência Andina / Divulgação

Mais de 100 votos já indicam tendência pela destituição; insegurança pública e crise política agravam cenário no país

A presidente do Peru, Dina Boluarte, enfrenta seu momento político mais delicado desde que assumiu o comando do país. O Congresso Nacional se prepara para votar até quatro moções de impeachment, em meio a uma crescente crise de insegurança pública e à falta de consenso político. Segundo levantamento do jornal El Comercio, mais de 100 parlamentares já manifestaram apoio à destituição da chefe de Estado.

O debate foi impulsionado após o atentado contra o grupo musical Agua Marina, em Chorrillos, um episódio que evidenciou o agravamento da violência no país. A resposta do governo à crise foi considerada insuficiente por grande parte do Legislativo, reacendendo as discussões sobre a capacidade de Boluarte de continuar governando.

De acordo com o regulamento do Congresso peruano, uma moção de impeachment precisa das assinaturas de 26 parlamentares para ser apresentada, 52 votos para tramitar e 87 votos para ser aprovada. Até o final da tarde de quinta-feira (9), ao menos uma moção já havia sido oficialmente registrada, e as demais contavam com apoio crescente.

Posições políticas divididas

O Podemos Peru, por meio do líder Aron Espinoza, confirmou que promoverá uma moção para destituir Boluarte. Segundo ele, o governo tem falhado em apresentar um plano concreto contra a criminalidade.

“Já não se trata apenas da morte de Paul Flores em plena via pública. Agora, até mesmo um tiroteio ocorre em uma instituição militar. Onde está o plano de segurança? Onde está o Ministério do Interior?”, questionou Espinoza.

A Renovação Popular, liderada por Norma Yarrow, também anunciou adesão à proposta. “Quero que fique claro que isso não busca desequilibrar o país. Mas sim, vamos apresentar o pedido de impeachment. Precisamos de 87 congressistas que estejam do lado do povo peruano”, declarou a parlamentar em plenário.

Já a deputada Susel Paredes, do Bloco Democrático, criticou o que chamou de “oposição falsa” — facções que haviam arquivado moções anteriores, mas agora aderem à destituição.

“Eles acham que são oposição, mas não se opõem a nada. As eleições estão chegando, e o que querem é a reeleição. Nós, a verdadeira oposição, sempre dissemos que Dina Boluarte não pode continuar governando”, afirmou.

Mudança de cenário no Congresso

Até então, partidos como Força Popular e Aliança para o Progresso defendiam apenas a interpelação do ministro do Interior, Carlos Malaver, mas o tom mudou nas últimas horas. O acúmulo de episódios de violência, somado à crescente desaprovação popular, fez crescer a pressão dentro do Parlamento para a saída da presidente.

Enquanto o país acompanha o desenrolar dos debates, Boluarte tenta demonstrar controle político e anunciou recentemente uma campanha inusitada contra a criminalidade: “não atender ligações de números desconhecidos”, medida que gerou críticas e ironias nas redes sociais.

O Peru registra atualmente uma denúncia de extorsão a cada 19 minutos, segundo dados oficiais — um sintoma de uma crise de segurança que se soma à instabilidade política e à desconfiança generalizada nas instituições.

Com as votações previstas para os próximos dias, o destino de Dina Boluarte está em aberto — e o país, novamente, à beira de mais uma reviravolta política.

Por Angel Morote / Com informações do El Comercio Perú

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