O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursa na 80ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, na sede da ONU, em Nova York. Niyi Fote/TheNews2/Estadão Conteúdo
Em discurso na Assembleia-Geral
da ONU, presidente dos EUA ainda chamou a luta contra mudanças climáticas de
‘maior golpe da história’ e ameaçou nações que seguirem comprando petróleo
russo
O presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump,
usou seu discurso na Assembleia-Geral
da ONU nesta terça-feira (23) para atacar a política migratória
europeia, criticar a própria Organização das Nações Unidas e defender uma
agenda energética centrada no petróleo e na
energia nuclear. Trump afirmou que a “imigração ilegal está
arruinando os países do Ocidente” e acusou a ONU de “financiando um ataque
contra as nações ocidentais”. Em tom de advertência aos líderes europeus,
declarou que “seus países estão indo para o inferno” por não conterem os fluxos
de imigrantes, que, segundo ele, são incentivados por um discurso de
“politicamente correto”.
O presidente também exigiu que
países europeus “interrompam imediatamente todas as compras de energia da
Rússia” e acusou China e Índia de, com suas
compras de energia, “financiarem a guerra na Ucrânia“.
Na mesma linha, disse que Pequim é o maior emissor de gás carbono entre as
nações desenvolvidas. Sobre energia, Trump criticou duramente as renováveis,
chamando a energia eólica de “piada” e “muito cara”, e afirmou que países como
Alemanha e Reino Unido demonstraram os riscos da transição. Defendeu a energia
nuclear como segura “se você souber usá-la corretamente” e enalteceu sua
política de incentivo ao petróleo: “perfure, baby, perfure”.
Ao comentar alertas científicos
sobre o clima, afirmou que “diziam que aquecimento global iria acabar com o
mundo, mas ficou mais frio. Por isso, agora, eles chamam de mudança climática”,
e classificou a mudança climática como “o maior golpe da história”, chamando a
pegada de carbono de “uma farsa”.
Na área de segurança, Trump
acusou o governo da Venezuela de permitir que “vários barcos com drogas estão
saindo da Venezuela em direção aos EUA” e apontou Nicolás Maduro como suposto
líder de redes de tráfico. Em tom ameaçador, disse: “A qualquer terrorista que
esteja traficando drogas venenosas para os Estados Unidos da América: esteja
avisado, nós o explodiremos”. A declaração veio após, segundo o governo
americano citado no discurso, ataques contra embarcações no Caribe que teriam
resultado em pelo menos 14 mortos.
O presidente também comentou a
questão palestina, afirmando que o reconhecimento de um Estado palestino seria
“uma recompensa” pelos ataques de 7 de Outubro — referência usada por Trump
para relacionar o tema à guerra em Gaza — e afirmou que sua atuação diplomática
trouxe paz a “sete conflitos”, embora tenha criticado a ONU por não estar “à
altura” de seu potencial.
O discurso, que ultrapassou os 15
minutos protocolares, teve momentos de descontração e falhas técnicas: Trump
foi sarcástico ao subir ao plenário após as escadas rolantes apresentarem
problema e chegou a ironizar um eventual mau funcionamento do teleprompter.
Ainda na Assembleia, o presidente anunciou ter se cruzado com o presidente
brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que os dois se reunirão “na próxima
semana” — o petista havia discursado antes, criticando medidas unilaterais
contra instituições e economias.
A intervenção de Trump marcou
mais um momento de confronto entre a diplomacia americana e temas centrais na
agenda internacional — migração, clima, energia e segurança — e deve repercutir
nos debates sobre cooperação multilaterial e políticas nacionais nos próximos
dias.
JP

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