9/03/2025

Presidente da Guiana apoia presença de navios de guerra dos EUA no Caribe; Venezuela acusa vizinho de criar “frente de guerra”


O presidente da Guiana, Irfaan Ali, expressou nesta segunda-feira (1º) seu apoio ao desdobramento de navios de guerra dos Estados Unidos no Caribe, próximo à costa da Venezuela. A declaração ocorreu no mesmo dia em que Caracas acusou seu vizinho de tentar “criar um frente de guerra”, após relatar um suposto ataque de embarcação venezuelana a uma lancha guianesa que transportava material eleitoral.

“Apoyaremos todo lo que elimine cualquier amenaza a nuestra seguridad, no solo en términos de soberanía (…) Debemos unirnos para combatir la delincuencia transnacional, para combatir el narcotráfico”, disse Ali à imprensa após votar nas eleições em que busca a reeleição.

O presidente guianense acrescentou que: “Sempre afirmamos repetidamente que esta região deve continuar sendo uma zona de paz, e faremos todo o possível para garantir que assim continue, apoiando todos os esforços nesse sentido”.

Reação da Venezuela

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, rejeitou as acusações de Guyana sobre o incidente envolvendo a lancha patrulha na véspera das eleições. “Ontem vimos um comunicado do governo da República Cooperativa da Guiana (…) tentam criar um frente de guerra (…) isso não passa de um ‘fake’ (falsidade)”, afirmou. Caracas nega que tenham sido efetuados disparos contra a embarcação e afirma que patrulhará suas águas territoriais, mobilizando mais de quatro milhões de membros da milícia diante das “ameaças”.

Guyana informou que a lancha patrulha que transportava pessoal militar e policial conseguiu repelir o ataque sem vítimas nem danos ao material eleitoral. “A patrulha respondeu ao fogo imediatamente e conseguiu colocar a equipe de escolta fora de perigo. Nenhum membro do pessoal se feriu e nenhum material eleitoral foi danificado ou comprometido”, declarou o governo guianense.

Operação militar dos EUA

A operação americana, apresentada como antidrogas, envolve vários navios de guerra e um submarino de propulsão nuclear. Washington acusa o ditador venezuelano Nicolás Maduro de liderar um cartel de narcotráfico e aumentou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à sua captura.

Padrino López também criticou a postura de Trinidad e Tobago sobre a operação: “Lamentamos profundamente o pronunciamento estéril, inútil, vasallo dos governos que se prestam à narrativa do imperialismo norte-americano”, disse.

Eleições na Guiana

Os guianenses começaram a votar nesta segunda-feira para escolher os membros do Parlamento e o presidente, que administrará as vastas riquezas do país em um contexto de crescentes tensões com a Venezuela.

Segundo observadores, a eleição está concentrada em três principais candidatos:

  • Irfaan Ali, atual presidente e do Partido Progressista do Povo (PPP/C, centro-esquerda)
  • Aubrey Norton, opositor e da Associação para uma Nova Unidade (APNU, esquerda)
  • Azruddin Mohamed, populista e multimilionário, apelidado de “Trump guianense”, fundador do partido WIN (We Invest in the Nation, “Investimos na Nação”) com objetivo de romper o bipartidarismo

Os 750 mil eleitores estavam convocados a votar entre 6h e 18h (horário local), e a Comissão Eleitoral

Com informações da AFP

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