O presidente da Guiana, Irfaan Ali, expressou nesta segunda-feira (1º) seu apoio ao desdobramento de navios de guerra dos Estados Unidos no Caribe, próximo à costa da Venezuela. A declaração ocorreu no mesmo dia em que Caracas acusou seu vizinho de tentar “criar um frente de guerra”, após relatar um suposto ataque de embarcação venezuelana a uma lancha guianesa que transportava material eleitoral.
“Apoyaremos todo lo que elimine cualquier
amenaza a nuestra seguridad, no solo en términos de soberanía (…) Debemos
unirnos para combatir la delincuencia transnacional, para combatir el
narcotráfico”, disse Ali à imprensa após votar nas eleições em que busca a
reeleição.
O presidente guianense
acrescentou que: “Sempre afirmamos repetidamente que esta região deve continuar
sendo uma zona de paz, e faremos todo o possível para garantir que assim
continue, apoiando todos os esforços nesse sentido”.
Reação da Venezuela
O ministro da Defesa da
Venezuela, Vladimir Padrino López, rejeitou as acusações de Guyana sobre o
incidente envolvendo a lancha patrulha na véspera das eleições. “Ontem vimos um
comunicado do governo da República Cooperativa da Guiana (…) tentam criar um frente
de guerra (…) isso não passa de um ‘fake’ (falsidade)”, afirmou. Caracas nega
que tenham sido efetuados disparos contra a embarcação e afirma que patrulhará
suas águas territoriais, mobilizando mais de quatro milhões de membros da
milícia diante das “ameaças”.
Guyana informou que a lancha
patrulha que transportava pessoal militar e policial conseguiu repelir o ataque
sem vítimas nem danos ao material eleitoral. “A patrulha respondeu ao fogo
imediatamente e conseguiu colocar a equipe de escolta fora de perigo. Nenhum
membro do pessoal se feriu e nenhum material eleitoral foi danificado ou
comprometido”, declarou o governo guianense.
Operação militar dos EUA
A operação americana, apresentada
como antidrogas, envolve vários navios de guerra e um submarino de propulsão
nuclear. Washington acusa o ditador venezuelano Nicolás Maduro de liderar um
cartel de narcotráfico e aumentou para US$ 50 milhões a recompensa por
informações que levem à sua captura.
Padrino López também criticou a
postura de Trinidad e Tobago sobre a operação: “Lamentamos profundamente o
pronunciamento estéril, inútil, vasallo dos governos que se prestam à narrativa
do imperialismo norte-americano”, disse.
Eleições na Guiana
Os guianenses começaram a votar
nesta segunda-feira para escolher os membros do Parlamento e o presidente, que
administrará as vastas riquezas do país em um contexto de crescentes tensões
com a Venezuela.
Segundo observadores, a eleição
está concentrada em três principais candidatos:
- Irfaan Ali, atual presidente e do Partido
Progressista do Povo (PPP/C, centro-esquerda)
- Aubrey Norton, opositor e da Associação para uma
Nova Unidade (APNU, esquerda)
- Azruddin Mohamed, populista e multimilionário,
apelidado de “Trump guianense”, fundador do partido WIN (We Invest in the
Nation, “Investimos na Nação”) com objetivo de romper o bipartidarismo
Os 750 mil eleitores estavam convocados
a votar entre 6h e 18h (horário local), e a Comissão Eleitoral
Com informações da AFP

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