O secretário-geral da ONU, António Guterres (d), cumprimenta o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, durante reunião na sede do organismo internacional, em Nova York. Laura Jarriel/ONU/EFE
Decisão dos EUA ocorre após
discurso do presidente da Colômbia em ato pró-Palestina em Nova York e amplia a
tensão diplomática entre os dois países
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro,
acusou neste sábado (27) os Estados Unidos de
violarem o direito internacional após a revogação de seu visto. A decisão foi
anunciada pelo governo americano um dia depois de o líder colombiano participar
de uma manifestação pró-Palestina em Nova York, durante sua passagem pela Assembleia Geral
da ONU. De acordo com o Departamento de Estado, Petro teria incitado
violência ao pedir que soldados americanos desobedecessem ordens do
presidente Donald
Trump. “Revogaremos seu visto devido aos seus atos imprudentes e
incendiários”, informou a chancelaria dos EUA em publicação na rede X.
Durante o protesto, Petro
discursou em espanhol usando um megafone, no qual pediu a criação de uma “força
armada mundial maior que a dos Estados Unidos” para libertar os palestinos. Em
outra fala, apelou a militares americanos: “Não apontem seus fuzis contra a
humanidade. Desobedeçam à ordem de Trump. Obedeçam à ordem da humanidade.”
Nas redes sociais, o presidente
colombiano minimizou a medida. “Cheguei a Bogotá e descobri que não tenho mais
visto para os EUA. Não me importo. Tenho cidadania europeia e me considero uma
pessoa livre no mundo”, escreveu. Ele acrescentou que a revogação foi uma
retaliação por denunciar o que classifica como genocídio em Gaza.
A decisão americana provocou
reação no governo colombiano. O ministro do Interior, Armando Benedetti,
afirmou que o visto deveria ter sido retirado do primeiro-ministro israelense
Benjamin Netanyahu, e não do presidente colombiano. “Estão revogando o visto
dele porque foi um dos poucos presidentes na ONU que ousou denunciar o
genocídio contra a Palestina”, declarou. Petro é um dos líderes mais críticos à
ofensiva de Israel na Faixa de Gaza.
Desde 2024, a Colômbia não mantém relações diplomáticas com o governo de
Benjamin Netanyahu e proibiu exportações de carvão ao país.
As tensões entre Bogotá e
Washington já vinham crescendo desde a volta de Trump à Casa Branca. Neste ano,
Petro bloqueou voos de deportação de imigrantes, provocando ameaças de sanções
comerciais. Em julho, os dois países chegaram a chamar de volta seus
embaixadores após acusações de tentativa de golpe. O último caso semelhante de
revogação de visto de um presidente colombiano ocorreu em 1996, quando Ernesto
Samper foi punido após denúncias de financiamento de campanha pelo cartel de
Cali.
JP

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