O Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, em seu encontro com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, em Madri. EFE
Governo Trump exigia a venda ou a
proibição da plataforma da empresa chinesa ByteDance por ‘ameaçar a segurança
nacional’
Estados Unidos e China chegaram, nesta
segunda-feira (15), a um acordo marco para que o TikTok passe para mãos
americanas, anunciou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que
participou das negociações entre os dois países. O acordo marco alcançado prevê
que o TikTok “passe a ser uma propriedade controlada pelos Estados Unidos”,
disse Scott Bessent à imprensa em Madri, local das discussões. “Não vamos falar
dos termos comerciais do acordo. Isso é entre duas partes privadas, mas os
termos comerciais foram acordados”, acrescentou, quando perguntado sobre o
algoritmo desta rede social.
O presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump, e o chinês, Xi Jinping, “falarão na sexta-feira (19) para
finalizar o acordo”, afirmou Bessent. Minutos antes, Trump havia antecipado em
sua plataforma, Truth Social, um acordo sobre uma “‘certa’ empresa que os jovens
de nosso país realmente queriam salvar”, acrescentando que falaria com Xi na
sexta-feira. O TikTok é propriedade da empresa chinesa de internet ByteDance.
Uma lei federal que exige a venda ou a proibição do TikTok por motivos de
segurança nacional deveria entrar em vigor um dia antes da posse de Trump, em
20 de janeiro.
No entanto, o presidente
republicano suspendeu essa proibição e, em meados de junho, estendeu por mais
90 dias o prazo para que o aplicativo encontrasse um comprador não chinês, como
condição para não ser banido nos Estados Unidos. Esse novo prazo vence em 17 de
setembro.
A saída total do aplicativo nos
EUA também representaria uma decisão mais radical do governo americano
“Boas discussões”
As negociações entre as duas
maiores economias do mundo ocorreram no domingo e nesta segunda-feira na sede
da Chancelaria espanhola. As delegações foram lideradas por Bessent e pelo
vice-primeiro-ministro da China, He Lifeng. “Tivemos discussões muito boas”,
estimou Bessent ao final deste novo ciclo de diálogos, acrescentando que os
contatos “se concentraram nas discussões sobre o TikTok”.”Realizaremos novas
negociações comerciais em aproximadamente um mês em outro lugar, mas falamos
sobre muitas coisas que poderíamos fazer no futuro”, acrescentou.
No entanto, em um sinal de que as
tensões bilaterais não estão diminuindo, Pequim acusou nesta segunda-feira o
grupo americano de chips Nvidia de violar suas leis antimonopólio e anunciou
uma “investigação exaustiva”.”Após uma investigação preliminar, foi determinado
que a Nvidia Corporation violou a lei antimonopólio da República Popular da
China”, afirmou a reguladora estatal de mercados em nota, sem especificar as
violações.
A agência chinesa acrescentou que
aprofundará a “investigação preliminar” que havia iniciado em dezembro sobre a
Nvidia. Essa empresa, com sede na Califórnia e líder mundial na produção de
semicondutores para IA, esteve em meio às tensões comerciais entre China e
Estados Unidos. Washington, de fato, restringe os chips que a Nvidia pode
exportar para o território chinês por motivos de segurança nacional. No fim de
semana, a China também iniciou investigações sobre o setor de semicondutores
nos Estados Unidos.
China pede “respeito
mútuo”
China e Estados Unidos trocam
acusações de agravamento das tensões comerciais que levaram as partes a impor,
nos últimos meses, tarifas que chegaram a alcançar três dígitos. Desde então,
Washington e Pequim chegaram a um acordo para reduzir as tensões e diminuíram
temporariamente as tarifas a 30% por parte dos Estados Unidos e 10% do lado da
China. Em agosto, os dois países adiaram a retomada das tarifas mais elevadas
por 90 dias, até 10 de novembro.
O Ministério do Comércio chinês
pediu, na sexta-feira, que Washington “trabalhe com a China com base no
respeito mútuo e consultas iguais, para resolver preocupações mútuas por meio
do diálogo e encontrar uma solução para o problema”, segundo um comunicado. As
reuniões em Madri poderiam estabelecer as bases para uma possível cúpula entre
Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, antes do fim do ano.
Com informações da AFP

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