Na avaliação de comerciantes e
moradores, serviços dos bairros que integram a nova região ainda precisam de
melhorias
Rio - Cariocas da Zona Sudoeste, criada por decreto publicado pela Prefeitura
nesta terça-feira (9), estão com dúvidas em relação às novidades que a
mudança pode trazer e um possível impacto em aumentos de impostos. Ao DIA,
comerciantes e moradores da Freguesia, Vargem Grande e
Recreio afirmaram que temem reajustes nas taxas e demonstraram dúvidas em
relação à alteração na nomenclatura da área dos 20 bairros que pertenciam
à Zona Oeste.
O empresário Carlos Feiz, de 55
anos, é morador da Freguesia e reprovou a alteração. Segundo ele, é necessário
ter a mesma realidade que sempre aconteceu. "Mudando, vai ficar muito
difícil. Muita gente não conhece, vai modificar muito. Tem que manter a
tradição carioca. Não resta dúvida que o IPTU vai aumentar. Em Vargem Grande, o
IPTU era o mínimo do mínimo e hoje, é uma covardia. Só vai milionário lá
dentro. Todo mundo sabe, o Rio inteiro sabe. É uma covardia. E o IPTU é o mais
covarde que nós temos no Rio. Isso vai aumentar. Com certeza", afirmou.
Já o comerciante Gilberto Rodrigues,
66, dono de uma barraca de chapéus na Estrada de Jacarepaguá, considerou a
mudança irrelevante. "Tinham que esquentar a cabeça com mais coisas. Isso
aí tinha que ser uma coisa melhor, para melhorar o bairro, negócio de limpeza.
Isso aí é à toa. Não gostei desse projeto não. Acho que vai ser a mesma coisa.
Não vai mudar nada. Tem coisa mais importante pra fazer aqui, em Jacarepaguá.
Acho que não tem nada a ver."
Os bairros que formam a nova Zona
Sudoeste são: Anil, Barra da Tijuca, Barra Olímpica, Camorim, Cidade de Deus,
Curicica, Freguesia, Gardênia Azul, Grumari, Itanhangá, Jacarepaguá, Joá, Praça
Seca, Pechincha, Recreio dos Bandeirantes, Tanque, Taquara, Vargem Grande,
Vargem Pequena e Vila Valqueire. Somados, eles têm uma população de 1.105.620 pessoas.
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Em nota, a Prefeitura do Rio
ressaltou que "a princípio, não há qualquer alteração na rotina dos
serviços ofertados pelo município à região, como a necessidade de substituição
de placas informativas, aumento de impostos ou criação de uma nova
subprefeitura". A Secretaria Municipal da Fazenda também destacou, através
de comunicado, que o valor do IPTU não será alterado.
No entanto, a novidade ainda gera
questionamentos da população. Na opinião da assistente social aposentada,
Eloísa Fagundes, 68, que mora na Freguesia há mais de 40 anos, mesmo que não
haja um aumento imediato, reajustes podem ser feitos futuramente.
"Mais para a frente, eles
vão arranjar uma brecha na lei e dizer 'não, é Zona Sudoeste, o valor venal dos
imóveis vai aumentar'. Portanto, o IPTU vai aumentar. Lógico. O IPTU daqui já é
diferente do de Copacabana, Leblon porque é Zona Oeste. A gente sabe disso.
Agora, se vier com essa história de Zona Sudoeste, a gente sabe que
futuramente, vai pagar imposto mais caro", disse.
A guia de turismo Thereza
Cristina, 67, que também vive na Freguesia, pregou cautela no debate. "Eu
acho que se for pra ter uma melhora na administração, é válido. Ter mais
cuidados nas ruas, até na própria gestão do local. Penso que a parte do IPTU
precisa ser melhor pensada, porque tem ruas aqui que são de uma região mais
nobre e com IPTU mais alto. Isso precisa ser repensado", avaliou.
Com a novidade, o comerciante
Gustavo Miranda, 53, morador de Realengo, que continua fazendo parte da Zona
Oeste, teme que o seu bairro possa receber menos atenção do poder público.
"Dividir os bairros, mas não
pode dividir a população. Cobrir um lado e descobrir o outro. Aí, tem que ver o
que o prefeito vai resolver, porque não pode dividir o carioca. Somos uma
cidade só. Em região, tudo bem, pro seu imposto, organizar mais o recurso. O
serviço que tem que melhorar, em todos os bairros. Aqui é uma coisa, em
Realengo é outra coisa. Vai tirar de um lado e pôr do outro, só porque é uma
área de mais alto nível, classe média alta? Vai dar gosto pra um e desgosto pra
outro. Vai melhorar em uma parte e descobrir outra? O serviço tem que ser
igual. Segurança, saneamento básico", protestou.
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'Espero que seja pelo melhor'
Quem olhou a mudança com bons
olhos foi o professor de skate Marcos Sodré, 32. Morador do Recreio, ele
afirmou que a criação da Zona Sudoeste pode ter um impacto positivo na
valorização da região.
"Eu acho muito maneiro, pelo
fato de a gente ver que na verdade, está tendo uma atenção voltada para isso,
de que os bairros em si, tanto do Recreio, quanto Vargem Pequena, Vargem
Grande, Barra, Curicica e outros, denominado com esse novo nome, Sudoeste, isso
sim vai valorizar essas regiões. A gente sabe que existe uma divisão geográfica
de lado sul, leste, sudoeste. Desde muito pequenos, aprendemos isso na escola.
Se você for ver pelo mapa e geografia, o Recreio e Barra é sudoeste, e Zona
Oeste é Campo Grande, Bangu. Acho que vai valorizar sim", explicou.
Já o reformador de piscinas de
fibra Luiz Felipe Santos, 40, vive em Vargem Grande e olha para a novidade com
esperança. "Todo mundo está em dúvida a respeito de qualquer tipo de
mudança. Bom as pessoas pesquisarem sobre o assunto, para saber se é vantagem.
Foi aprovado antes de todo mundo saber, é complicado. Pode ser que mantenha,
mas a gente não sabe. Estou em dúvida [em relação à mudança]. Espero que seja
pelo melhor, e faça algo pela, agora, Zona Sudoeste."
Mudança de nomenclatura
O vereador Dr. Gilberto
(Solidariedade), autor da proposta, afirmou ao DIA, no último dia
15 de agosto, que a ideia surgiu depois dos bairros da nova Zona Sudoeste não
serem incluídos na Lei 7.026/2021, do vereador Zico (PSD), que instituiu a Zona
Oeste. Desta forma, eles estavam sem zoneamento. Com isso, a mudança será
relacionada basicamente à nomenclatura.
"Os bairros a que nos
referimos não pertencem à Zona Oeste, pertencem à Área de Planejamento 4 (AP4).
A confusão que se observa decorre da crença de que esses bairros estariam sendo
deslocados ou adicionados a uma nova região, quando, na realidade, eles já
integram a AP4, mas ficam de fora de zoneamentos já existentes. A proposta de
alteração é estritamente de nomenclatura", destacou.
Dr. Gilberto também comentou os
benefícios que os bairros integrantes da região poderão receber. "O
projeto tem por objetivo orientar a expansão urbana, qualificar a distribuição
geográfica da região e da população, trazendo alguns benefícios em termos de organização
administrativa, de desenvolvimento urbano e social, de meio ambiente."
O Dia

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