A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) divulgou uma nota nesta quinta-feira (21) afirmando que ele não descumpriu as medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os advogados disseram que receberam “com surpresa” o indiciamento feito pela Polícia Federal (PF) na quarta-feira (20).
Segundo a Polícia Federal, no
relatório final que pediu o indiciamento de Bolsonaro e do deputado federal
Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o ex-presidente “ativou um novo celular após a
apreensão do aparelho oficial e seguiu se comunicando com aliados”, mesmo
estando “proibido de utilizar redes sociais e de manter contato com outros
investigados”.
Ainda de acordo com a PF, Jair
Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro são acusados de coação no curso do processo da
suposta trama de golpe e de tentativa de “abolição violenta do Estado
Democrático de Direito”. O relatório aponta que a iniciativa tinha como
objetivo “impedir o pleno exercício do Poder Judiciário Brasileiro nas ações
penais em curso que apuram os atos de tentativa de golpe de Estado” e abrir
caminho para anistiar investigados.
Em pronunciamento assinado pelos
advogados Celso Sanchez Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Bettamio
Tesset, a defesa informou que Bolsonaro vai prestar esclarecimentos ao STF até
a noite desta sexta-feira (22), quando expira o prazo de 48 horas determinado
por Moraes.
Além do possível descumprimento
das medidas cautelares, o ex-presidente também terá de se explicar sobre o
rascunho de um pedido de asilo ao presidente da Argentina, Javier Milei,
encontrado em seu celular. No documento, Bolsonaro dizia enfrentar “perseguição
política” no Brasil e afirmou “temer pela própria vida”.
A investigação da Polícia Federal
foi aberta em maio, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, após
pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). O relatório final foi
encaminhado ao Supremo nesta quarta-feira (20). Agora, caberá ao
procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidir se apresenta ou não
denúncia contra Bolsonaro, Eduardo, além do pastor Silas Malafaia e do
jornalista Paulo Figueiredo, apontados pela PF como apoiadores ativos da
articulação internacional.
De acordo com o relatório, os
elementos reunidos incluem “análise de dados telefônicos, depoimentos de
envolvidos e o monitoramento de atividades em redes sociais”. Os investigadores
afirmam que Eduardo Bolsonaro participou de encontros, audiências e
manifestações públicas nos Estados Unidos em que pediu a “adoção de medidas
contra ministros do STF” e chegou a mencionar a possibilidade de “tarifas de
50% sobre produtos brasileiros”.
As provas também apontam que Jair
Bolsonaro manteve comunicação com o filho e com o pastor Silas Malafaia. Em seu
celular, além de mensagens, a PF encontrou o rascunho de pedido de asilo
político a Milei. Para os investigadores, isso reforça a intenção do grupo de
se eximir de uma eventual condenação.
A Polícia Federal também apurou
movimentações financeiras. Em depoimento, Jair Bolsonaro confirmou ter
transferido “R$ 2 milhões” ao filho via Pix. No relatório, os investigadores
concluíram que os recursos, oriundos de doações de apoiadores, foram utilizados
para “financiamento e suporte de atividades ilícitas com a finalidade de coagir
autoridades públicas”.
Abaixo a íntegra da nota da
defesa de Jair Bolsonaro:
A defesa do Presidente
Bolsonaro recebeu com surpresa, na data de ontem, a decisão de seu formal
indiciamento pela Polícia Federal.
Os elementos apontados na
decisão serão devidamente esclarecidos dentro do prazo assinado pelo Ministro
relator, observando-se, desde logo, que jamais houve o descumprimento de
qualquer medida cautelar previamente imposta.
Gazeta Brasil

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