O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (4) que vai aumentar substancialmente os impostos sobre produtos importados da Índia. A decisão, segundo ele, é uma retaliação ao fato de o país asiático continuar comprando “quantidades massivas” de petróleo da Rússia.
Atualmente, os produtos indianos
já enfrentam uma tarifa de 25%, imposta no final de julho. Agora, Trump afirmou
que o novo aumento será “substancial”, mas não especificou qual será a
alíquota. A Índia é integrante do Brics, bloco formado também por Brasil,
Rússia, China e África do Sul.
“A Índia não apenas compra grandes quantidades
de petróleo russo, como também revende boa parte no mercado aberto com grandes
lucros”, escreveu o presidente em sua rede Truth Social. “Eles não se importam
com quantas pessoas na Ucrânia estão sendo mortas pela máquina de guerra
russa”, criticou.
Desde o início da guerra na
Ucrânia, a Índia tem mantido uma postura neutra. O país, que é o terceiro maior
importador de petróleo do mundo, aumentou significativamente suas compras da
Rússia — de menos de 2% para mais de um terço de todo o seu petróleo importado
— aproveitando os descontos oferecidos por Moscou.
Trump relacionou diretamente o
novo pacote tarifário ao comércio de energia da Índia com os russos. “Por isso,
aumentarei substancialmente o imposto que a Índia paga aos Estados Unidos”,
declarou.
Apesar da pressão de Washington,
o governo indiano defende a importação de petróleo russo como uma decisão
baseada no “interesse nacional” e afirma que isso contribui para a estabilidade
energética global.
Além das medidas contra a Índia,
Trump também sinalizou a possibilidade de impor sanções secundárias a
outros países que compram petróleo da Rússia, incluindo a China. A
iniciativa faz parte de um esforço mais amplo para forçar o presidente russo
Vladimir Putin a declarar uma trégua na guerra contra a Ucrânia.
Na semana passada, Trump deu
um ultimato de 10 dias ao Kremlin para que anuncie um
cessar-fogo, advertindo que, caso contrário, poderá impor penalidades
econômicas mais severas. O enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, deve
se reunir em breve com autoridades russas em Moscou.
O Kremlin confirmou que está
disposto a dialogar com Witkoff e não descartou uma reunião entre Putin e o
presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, embora tenha imposto condições.
Enquanto isso, Trump admitiu que
as sanções impostas até agora não conseguiram frear a postura russa. “Eles são
espertos”, disse sobre os russos. Ainda assim, o presidente norte-americano
afirmou que continuará buscando uma solução para o conflito.
Zelensky, por sua vez, voltou a
pedir que Estados Unidos e aliados ocidentais ampliem as sanções, especialmente
nos setores de energia, comércio e finanças da Rússia.
Segundo a ONU, mais de 12 mil
civis já morreram na Ucrânia desde o início da invasão russa, em fevereiro de
2022. O governo Putin, no entanto, segue com bombardeios a áreas urbanas e se
recusa a negociar um acordo que não seja nos seus próprios termos.
Gazeta Brasil

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