Putin elogia liderança de Trump e diz ver “luz no fim do túnel” nas relações entre Rússia e EUA | Rio das Ostras Jornal

Putin elogia liderança de Trump e diz ver “luz no fim do túnel” nas relações entre Rússia e EUA

(Official White House Photo by Daniel Torok)

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou nesta sexta-feira (23) que existe “uma luz no fim do túnel” nas relações bilaterais com os Estados Unidos. Durante uma visita a um centro de pesquisa nuclear, Putin demonstrou confiança de que as qualidades de liderança do presidente norte-americano, Donald Trump, serão decisivas para superar a recente fase de fortes tensões entre os dois países.

O líder russo se referiu à cúpula bilateral realizada na semana passada, no Alasca, como “muito boa, significativa e franca”. “Com a chegada do presidente Trump, acredito que finalmente surgiu uma luz no fim do túnel. E agora tivemos uma reunião muito boa, significativa e franca no Alasca”, disse Putin, em referência ao encontro do dia 15 de agosto.

Putin destacou que os avanços futuros na relação entre Moscou e Washington dependerão principalmente do governo norte-americano. “Confio que as qualidades de liderança do atual presidente, Donald Trump, são uma boa garantia de que as relações poderão ser restabelecidas”, afirmou.

Durante a visita ao centro nuclear, o presidente russo também transmitiu otimismo em relação à possibilidade de novos acordos comerciais com os EUA, apesar de a cúpula não ter produzido resultados concretos sobre o conflito na Ucrânia.

Sobre a cooperação no Ártico, Putin ressaltou que a Rússia vê potencial de parceria com os Estados Unidos, citando as “enormes” reservas minerais da região. Ele destacou ainda o papel da empresa russa de gás natural liquefeito Novatek, que já atua na área. “Estamos discutindo com nossos parceiros americanos a possibilidade de trabalharmos juntos nessa região. E não apenas no nosso Ártico, mas também no Alasca. Ao mesmo tempo, as tecnologias que possuímos hoje ninguém mais possui, e isso desperta interesse em nossos parceiros, inclusive os norte-americanos”, afirmou.

Apesar do tom otimista, tanto Moscou quanto Washington reconhecem que as relações seguem no nível mais baixo desde o fim da Guerra Fria, abaladas pela guerra na Ucrânia e por disputas geopolíticas recentes.

Do lado norte-americano, Trump anunciou nesta sexta-feira que pretende tomar uma “decisão importante” em até duas semanas sobre os esforços de paz na Ucrânia. Ele alertou que o Kremlin pode enfrentar “sanções massivas” ou que os EUA podem optar por não intervir. “Não estou satisfeito com o ataque russo de quinta-feira, que atingiu uma fábrica norte-americana na Ucrânia. Não estou satisfeito com nada que envolva essa guerra”, disse o presidente no Salão Oval.

Trump afirmou que antes de decidir aguardará para ver se haverá um encontro direto entre Putin e o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky. “Acredito que em duas semanas saberei a posição da Rússia e, francamente, da Ucrânia. Isso exige duas partes”, explicou. “Depois disso, tomarei uma decisão sobre o que faremos — e será uma decisão muito importante. Pode incluir sanções, tarifas, ou ambos. Ou não fazer nada e dizer: ‘é problema deles’.”

O presidente dos EUA ainda mostrou à imprensa uma fotografia com Putin, enviada pelo Kremlin, registrada durante a cúpula no Alasca. Ele já havia prometido prazos semelhantes em questões relacionadas à Ucrânia, mas, em outras ocasiões, as datas não foram cumpridas.

De Moscou, o governo russo descartou a possibilidade imediata de um encontro entre Putin e Zelensky, embora Trump tenha afirmado, no início da semana, após conversas com líderes europeus e ucranianos, que buscaria promover uma reunião. “Queremos ver se Putin e Zelensky vão trabalhar juntos. Como óleo e vinagre, não se dão muito bem, por razões óbvias”, disse Trump à imprensa, acrescentando que não descarta participar de uma eventual cúpula.

A evolução da guerra na Ucrânia e o diálogo entre Washington e Moscou continuam sob atenção global, com expectativa em torno dos próximos anúncios e decisões políticas dos dois governos.

Com informações da AFP e Reuters

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