Decisão de Flávio Dino sobre sanções estrangeiras derruba Bolsa e faz dólar disparar | Rio das Ostras Jornal

Decisão de Flávio Dino sobre sanções estrangeiras derruba Bolsa e faz dólar disparar

(Montagem/Gazeta Brasil)

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), encerrou o pregão desta terça-feira (19) em forte baixa, recuando 2,10%, aos 134.432,26 pontos. Durante o dia, o índice chegou a operar brevemente no nível dos 133 mil pontos.

As ações dos bancos foram os principais vetores da queda. O Banco do Brasil (BBAS3) caiu 5,74%, fechando a R$ 19,86; o Bradesco (BBDC4) recuou 3,24%, aos R$ 15,80; e o Santander (SANB11) caiu 3,81%, para R$ 26,23. Às 16h30, o Ibovespa apresentava recuo de 2,27%, aos 134.207 pontos.

O movimento do mercado foi impulsionado pela decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que determinou que leis e decisões estrangeiras não podem afetar cidadãos, empresas ou bens no Brasil em relação a atos realizados no país. Segundo o ministro, decisões judiciais estrangeiras só podem ser executadas no Brasil “mediante a devida homologação”.

A medida foi interpretada pelo mercado como uma forma de blindar o ministro Alexandre de Moraes, também do STF, incluído em 30 de julho pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na lista da Lei Magnitsky, voltada a punir pessoas por corrupção e violações de direitos humanos. A sanção prevê bloqueio de bens nos EUA, proibição de entrada no país e veto a transações com pessoas físicas ou jurídicas sediadas nos Estados Unidos.

 “No caso de bancos brasileiros com operações nos EUA, havia um dilema: descumprir a recente decisão do STF ou a sanção do governo americano”, explicaram analistas de mercado, justificando a pressão sobre os papéis das instituições financeiras. Entre as quedas mais expressivas, destacam-se Banco do Brasil (-5,70%), BTG (-5,01%), Itaú (-5,22%), Bradesco (-3,00%) e Santander (-2,65%).

O dólar comercial também registrou alta, cotado a R$ 5,503 às 16h42, avanço de 1,24% na parcial do dia.

Embora a decisão do ministro Dino tenha impacto direto no caso de Moraes, ela foi tomada originalmente em resposta a um pedido do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), relacionado a indenizações contra a mineradora Samarco após o rompimento da barragem de Mariana (MG) em 2015. Em novo despacho, Dino esclareceu que a determinação não se aplica aos tribunais internacionais, cujas decisões têm efeito imediato no Brasil devido a acordos internacionais assinados pelo país.

Gazeta Brasil

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