Gough ressaltou que as tarifas não apenas afetam o comércio, mas também representam uma violação das normas internacionais. SÉRGIO CASTRO/ESTADÃO
Falas de Philip Fox-Drummond
Goughforam, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, foram
apoiadas por cerca de 40 associados, entre eles a União Europeia, China, Índia,
Canadá e Austrália
Durante uma reunião na Organização
Mundial do Comércio (OMC),
o Brasil manifestou sua insatisfação em relação às tarifas unilaterais impostas
pelos Estados
Unidos nesta quarta-feira (23). Falas foram apoiadas por cerca de
40 associados, entre eles a União Europeia, China, Índia, Canadá e Austrália. O
secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, Philip
Fox-Drummond Gough, argumentou que essas tarifas são arbitrárias e comprometem
a soberania das nações, mas não citou nominalmente o país nem Donald Trump.
“O mundo está testemunhando uma
mudança extremamente perigosa em direção ao uso de tarifas como ferramenta em
tentativas de interferir nos assuntos internos de terceiros países. Como uma
democracia estável, o Brasil tem firmemente enraizados em nossa sociedade
princípios como o Estado de Direito, a separação de poderes, o respeito às
normas internacionais e a crença na solução pacífica de controvérsias”, afirmou
o embaixador.
Gough ressaltou que as tarifas
não apenas afetam o comércio, mas também representam uma violação das normas
internacionais, prejudicando as cadeias de valor globais. “Tarifas arbitrárias,
anunciadas e implementadas de forma caótica, estão interrompendo as cadeias de
valor globais e correm o risco de lançar a economia mundial em uma espiral de
preços altos e estagnação. Tais medidas unilaterais constituem uma violação
flagrante dos princípios fundamentais que sustentam a OMC e que são essenciais
para o funcionamento do comércio internacional.”
O Brasil reafirmou seu
compromisso em buscar soluções por meio de negociações e anunciou que recorrerá
à OMC para contestar as tarifas. “Negociações baseadas em jogo de poder são um
atalho perigoso para a instabilidade e a guerra. Diante da ameaça de
fragmentação, a defesa consistente do multilateralismo é o caminho a seguir”,
disse. A delegação brasileira destacou a importância do diálogo e da negociação
para a resolução de conflitos comerciais, defendendo um sistema que funcione de
maneira justa para todos os países envolvidos. “Neste momento de grave
instabilidade, é imperativo que todos trabalhemos juntos em apoio a um Sistema
Multilateral de Comércio baseado em regras. É essencial que a OMC recupere seu
papel como um espaço onde todos os países podem resolver disputas e afirmar
interesses legítimos por meio do diálogo e da negociação”.
“A incapacidade de encontrar um
caminho que nos leve adiante apenas promoverá uma espiral negativa de medidas e
contramedidas que nos tornará mais pobres e mais distantes da prosperidade e
dos objetivos de desenvolvimento sustentável”, concluiu.
Em resposta, representantes dos
Estados Unidos alegaram que suas empresas são “forçadas a competir em
condições desiguais com os países que não estão seguindo as regras e as
disciplinas com as quais concordaram ao se tornarem membros dessa instituição”
e manifestaram interesse em iniciar negociações bilaterais.
A OMC, por sua vez, enfrenta um
impasse que já dura mais de cinco anos, o que tem dificultado a resolução de
disputas comerciais. O governo brasileiro está buscando um adiamento da
sobretaxa de 50% sobre suas exportações, na esperança de chegar a um
entendimento com os EUA.
JP

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