A Bolívia enfrenta uma escalada de violência em suas mobilizações sociais, que resultou na morte de quatro policiais e um civil nos últimos dois dias. Os confrontos ocorreram durante tentativas de levantar os pontos de bloqueio que paralisam diversas regiões do país, a dois meses das eleições gerais.
Na quarta-feira (11), a Polícia
Boliviana foi praticamente sobrepujada na localidade mineira de Llallagua, ao
norte de Potosí. Ali, manifestantes protestam pela exclusão do ex-presidente
Evo Morales (2006-2019) das eleições de agosto e exigem a renúncia do
presidente Luis Arce, a quem responsabilizam pela grave crise econômica que
assola o país.
Em Llallagua, os tenentes Jorge
Barrozo Rodríguez e Carlos Enrique Apata Tola, além do sargento primeiro Jesús
Alberto Mamani, perderam a vida após serem atingidos por armas de fogo.
Enquanto isso, o subtenente Christian Calle Alcón morreu em uma brifulca na
estrada para Oruro. Nesta quinta-feira (12), o Ministério Público informou o
falecimento de um civil no departamento de Cochabamba, epicentro dos protestos.
Na população mineira de Potosí,
os manifestantes queimaram um ônibus que transportava policiais, fizeram alguns
uniformizados reféns e impediram a passagem de ambulâncias para atender os
feridos, conforme reportagens da imprensa local. Na terça-feira (10), a
violência já havia tomado conta do município, com confrontos entre moradores e
os bloqueadores que mantêm a área urbana cercada, impedindo a passagem de
alimentos, gás e combustível.
“Os vizinhos, transportadores e comerciantes,
aborrecidos após uma semana de corte total no fornecimento de combustível, gás
e alimentos, decidiram tomar as ruas para desbloquear à força a rota que
permanece fechada por grupos identificados com o ex-presidente Morales”,
destacou o diário local El Potosí.
Também foram registrados
confrontos entre as forças de segurança e os bloqueadores na cidade de Vinto, a
20 quilômetros de Cochabamba, no centro do país. Por quatro horas, os
manifestantes responderam às ações policiais com rojões e pedras, e a Polícia
utilizou gás lacrimogêneo para dispersar a protesto.
Evo Morales e a Crise Econômica
no Centro dos Protestos
O líder cocaleiro Evo Morales
permanece entrincheirado em seu reduto na região cocaleira de Cochabamba, onde
centenas de camponeses o protegem para evitar sua captura. Nesta quinta-feira
pela manhã, eram registrados 19 piquetes em quatro dos nove departamentos, a
maioria localizada em Potosí e Cochabamba.
Os seguidores de Morales
protestam por sua inabilitação para disputar as eleições, após uma sentença
constitucional limitar o exercício da Presidência a dois mandatos – e Morales
já ocupou o cargo em três períodos.
Além da questão política, outros
setores também protestam pelos problemas econômicos do país. Há um período
prolongado de escassez de combustível, que tem gerado filas em postos de
serviço e prejudicado setores estratégicos como o transporte e a produção
agrícola. A isso se soma uma intensificação na alta dos preços da cesta básica.
Na área rural do departamento produtivo de Santa Cruz, foram registrados
bloqueios e também houve marchas massivas em La Paz, onde se pediu a renúncia
do presidente.
Governo Descartar Demissão e
Promete “Mão Dura”
O presidente Luis Arce descartou sua
demissão, afirmando que “a renúncia de ninguém resolve os problemas”. Em vez
disso, prometeu “mão dura” contra os bloqueios para retomar o controle do país,
com operações conjuntas de policiais e militares. “Não vamos fazer com que
ganhem aqueles que não querem as eleições, o que não querem a democracia, que
não querem o país nem o povo boliviano”, manifestou Arce em mensagem na
quarta-feira, após a notícia da morte dos oficiais.
Morales, por sua vez, também
endureceu o tom e, embora afirme não comandar os piquetes, advertiu que o
desbloqueio gerará uma “maior rebelião e maior sublevação ante o Governo”.
Diante da escalada da violência a
apenas dois meses das eleições gerais, alguns setores têm pedido que seja
decretado estado de exceção para restabelecer a ordem, ao menos nas regiões
onde o conflito recrudesce.
Gazeta Brasil

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