Policiais civis da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) e da 21ª DP (Bonsucesso) realizaram, nesta terça-feira (24/06), a "Operação Cabo de Guerra", para desarticular um esquema criminoso de monopólio forçado de serviços de internet em comunidades dominadas pela facção Comando Vermelho. Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Duque de Caxias, São Gonçalo e Cabo Frio. As diligências contaram com o apoio da da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e de unidades do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE). Uma pessoa foi presa e outras três conduzidas a especializada. Além disso, os agentes apreenderam eletrônicos, veículos e material de instalação de rede de internet.
As investigações
revelaram que provedores clandestinos, com suporte logístico e operacional da
facção, vinham impondo seus serviços de forma coercitiva e violenta à
população, mediante sabotagem de redes concorrentes, ameaças a moradores e
comerciantes e utilização de equipamentos furtados e veículos descaracterizados
para atuação ilícita. Equipes documentaram em vídeo e fotografias a ação de
"operários" destruindo cabos de fibra óptica de provedores legítimos
em Jardim Primavera, Duque de Caxias. Os envolvidos estavam vinculados a
empresas apontadas como instrumentos do esquema.
Na Praça Seca,
Zona Oeste do Rio, novos flagrantes indicaram que uma empresa estava retirando
concorrentes à força. Um veículo da organização foi observado em patrulhamento
irregular pela região, sempre associado a zonas onde provedores rivais tinham
sido silenciados.
Em outro ponto
investigado, foi localizado um depósito contendo equipamentos de rede oriundos
de furtos, além de peças automotivas de procedência duvidosa. A análise
patrimonial identificou a aquisição de veículos provenientes de leilões de
seguradoras, tática comum para dificultar o rastreio e camuflar bens utilizados
em crimes.
A estrutura
criminosa era composta por divisão clara de tarefas, desde a execução
operacional, passando pela logística de sabotagem, até o controle territorial
da oferta de internet. Essa configuração se enquadra como organização
criminosa, além dos crimes de interrupção ou perturbação de serviço de
telecomunicações, receptação e lavagem de dinheiro.
O controle
criminoso sobre a infraestrutura de internet em comunidades fere o direito
fundamental à comunicação, ao acesso à informação e à cidadania digital. Ao
impedir a atuação de empresas legítimas, o crime exclui populações inteiras de
serviços básicos de conectividade, essenciais para estudo, trabalho, acesso a
serviços públicos e liberdade de expressão. Além disso, ao eliminar
concorrentes à força, esse modelo distorce o mercado, aumenta os preços e
submete moradores a serviços precários e sem qualquer regulação ou proteção legal,
favorecendo o lucro de facções criminosas e a perpetuação de sua influência
territorial.
A ação nesta
terça buscava documentos, mídias digitais e equipamentos para comprovar os
crimes praticados e ampliar o mapeamento da rede criminosa. Todo o material será
analisado e poderá embasar novas diligências e responsabilizações penais e
civis.

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