A declaração ocorre horas após a entrada em vigor de um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos com apoio do Catar. EFE/Maria Traspaderne
Governo de Benjamin Netanyahu
confirmou o fim dos ataques ao território iraniano, mas ressaltou que ‘a
campanha contra Teerã ainda não acabou’
Após 12 dias de intensos
combates, Irã e Israel declararam,
nesta terça-feira (24), o fim dos conflitos diretos — embora o governo de Netanyahu não o
tenha feito de maneira categórica. A declaração ocorre horas após a entrada em
vigor de um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos com apoio do Catar. No entanto, o acordo
se mostra frágil diante de acusações de violação e diferentes perspectivas
sobre o futuro da região. O governo israelense afirma que “um capítulo
significativo” está finalizado, mas que a campanha contra Teerã ainda não
terminou. “Adiamos o projeto nuclear do Irã em anos, bem como seu projeto de
mísseis, mas, apesar da conquista fenomenal, precisamos permanecer em campo”,
disse Eyal Zamir, chefe do Estado Maior das Forças Armadas.
O presidente iraniano, Masoud
Pezeshkian, classificou o desfecho como uma “grande vitória” para o Irã,
afirmando que a guerra foi “imposta pelo aventurismo de Israel”. A liderança
iraniana, por meio do aiatolá Ali Khamenei e do Comando Militar Conjunto,
também advertiu Israel e EUA a “aprenderem com os golpes esmagadores” sofridos
durante os ataques iranianos. Apesar da retórica, o Irã ainda avalia a
reabertura de seu espaço aéreo, embora voos internacionais já estejam partindo
e chegando em Teerã com permissão especial.
Do lado israelense, Eyal Zamir,
confirmou o fim dos ataques ao território iraniano, mas ressaltou que “a
campanha contra o Irã ainda não acabou”. Zamir afirmou que Israel encerrou um
“capítulo significativo” do confronto e que o foco agora se volta à Faixa de
Gaza, onde o país está em guerra com o Hamas desde outubro de 2023. “Nosso foco
agora é resgatar os reféns em Gaza e desmantelar o regime do Hamas”, disse ele.
Israel retomou os bombardeios em Gaza em março, e a situação humanitária na
região é crítica.
O cessar-fogo, anunciado pelo
presidente dos EUA, Donald
Trump, entrou em vigor nas primeiras horas desta terça-feira (1h da
manhã no horário de Brasília). Contudo, relatos de novos ataques e declarações
cruzadas colocaram o acordo sob incerteza. Trump afirmou estar “insatisfeito
com os dois lados”, acusando Israel e Irã de violarem os termos da trégua. Ele
chegou a advertir Israel em suas redes sociais: “Israel, não jogue suas bombas.
Se fizer isso, será uma grande violação.” O acordo foi costurado após uma
ligação de Trump com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, e mediação do Catar,
com envolvimento de altos funcionários da Casa Branca. O Irã teria sinalizado
que cumpriria o acordo caso não houvesse novos ataques de Israel.
Analistas em Israel avaliam que o
programa nuclear e de mísseis do Irã foi adiado, mas não destruído. Apesar da
vitória militar na campanha aérea contra o Irã, Israel considera que “não há
tempo para descansar sobre os louros”. A retomada do foco em Gaza visa
pressionar o Hamas à rendição, em um território já devastado pelo conflito que
se arrasta desde 7 de outubro de 2023. A crise humanitária na Faixa de Gaza é
alarmante, com mais de 90% dos prédios destruídos e grave escassez de
alimentos.
Ainda há cerca de 50 reféns em
poder do Hamas, o que continua a ser um trauma para a sociedade israelense. A
decisão de Netanyahu de focar em Gaza, embora politicamente arriscada, é
considerada inadiável por parte do governo israelense, enquanto críticos apontam
que a política militarista do premiê visa protelar encontros com a Justiça.
JP

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