A Câmara dos Deputados deve impor uma derrota ao governo nesta segunda-feira (16), ao aprovar o requerimento de urgência para o projeto que suspende o decreto do Executivo que aumentou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A medida é vista como um sinal claro da insatisfação do Congresso com a política fiscal do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
O requerimento de urgência, que
permite que o projeto de decreto legislativo (PDL) vá direto ao plenário, sem
passar por comissões, tem apoio de partidos da base governista. Bancadas como
União Brasil e PP, que controlam quatro ministérios, orientaram voto favorável.
O PSD, com três pastas, liberou sua bancada.
A decisão de pautar a urgência
foi do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), após a repercussão
negativa da medida provisória editada na quarta-feira (11) pelo governo, que
prevê a taxação de investimentos antes isentos, como LCAs (Letras de Crédito do
Agronegócio) e LCIs (Letras de Crédito Imobiliário).
Mais cedo, os ministros Gleisi
Hoffmann (Relações Institucionais) e Rui Costa (Casa Civil) se reuniram com
Motta para tentar conter a crise. Segundo líderes que participaram do encontro,
apenas a urgência será votada nesta segunda, mas o resultado será termômetro
para o futuro das medidas fiscais.
Em paralelo, o governo tenta
destravar a liberação de emendas parlamentares, com o objetivo de liberar R$ 2
bilhões até o fim do mês — apenas R$ 100 milhões foram empenhados até agora. A
estratégia é vista como forma de recompor pontes com o Congresso e evitar um
desgaste ainda maior.
No sábado (14), o presidente Lula
chamou Motta e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para uma conversa
no Palácio da Alvorada. Lula buscava entender as críticas de Motta, que, após
classificar como “histórica” uma reunião com Haddad, passou a criticar
publicamente a proposta do IOF.
Motta teria dito que a reunião
foi histórica pela abertura ao diálogo, mas que não significava endosso às
propostas. Segundo ele, as críticas refletem o consenso da maioria dos
partidos, que defendem a votação imediata da urgência.
O deputado também reforçou que já
havia alertado o Planalto sobre o esgotamento do clima no Congresso para novas
medidas fiscais. Ainda assim, ele sinalizou que há espaço para negociação,
principalmente com a liberação das emendas.
Gazeta Brasil

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