Biden, que deixou a Casa Branca há quatro meses, nega ter sofrido qualquer deficiência cognitiva no final de seu mandato. Mandel NGAN / POOL / AFP
A gravação, divulgada neste
sábado (17) pela agência Axios, coincide com a publicação de um livro que narra
como a Casa Branca ocultou as fraquezas crescentes de um presidente octogenário
A divulgação de uma gravação de
áudio de Joe Biden de
2023, na qual o então presidente dos Estados Unidos perde
a noção de datas importantes de sua vida, lança luz sobre o declínio de suas
capacidades quando ainda estava no cargo. A gravação, divulgada na íntegra
neste sábado (17) pela agência de notícias Axios, coincide com a próxima
publicação de um livro investigativo que narra como a Casa Branca ocultou as
fraquezas crescentes de um presidente octogenário que há muito tempo se
agarrava à sua candidatura à reeleição.
Longos silêncios, frases
entrecortadas e, acima de tudo, problemas de memória: essa entrevista do
democrata Biden com um promotor em um caso de retenção de documentos
confidenciais expõe um homem que não se lembra mais da data da morte de seu
filho, nem da primeira eleição do republicano Donald Trump, que o sucedeu em
janeiro para um segundo mandato.
O promotor especial Robert Hur
havia descrito publicamente Biden, hoje com 82 anos, como um “homem velho com
memória ruim”. A Casa Branca então considerou esses comentários
“inapropriados”. A gravação mostra o declínio do líder democrata entre sua
vitória eleitoral em 2020 e seu desastroso debate com Trump em junho de 2024,
que revelou suas dificuldades de fala e finalmente o levou a jogar a toalha e passar
o bastão para a vice-presidente Kamala Harris, que acabou sendo derrotada pelo
magnata republicano.
O livro, que estará disponível
nas livrarias dos Estados Unidos na terça-feira, relata como o círculo íntimo
do democrata tentou protegê-lo depois de várias gafes, erros e tropeços ao
descer escadas. Escrito pelos jornalistas Alex Thompson, da Axios, e Jake
Tapper, da CNN, o livro descreve o “pecado original” de Joe Biden – do título
da obra em inglês, ‘Original sin’ – ao lançar sua campanha de reeleição na
primavera de 2023, apesar de sua deficiência cognitiva.
De acordo com os autores, a
teimosia de Biden e de sua comitiva levou diretamente à derrota do Partido
Democrata. “Como partido, Biden nos fez de bobos”, disse David Plouffe,
ex-conselheiro sênior do ex-presidente Barack Obama, aos autores.
Os dois jornalistas descrevem
Biden como um presidente que parecia não reconhecer seu amigo, o ator George
Clooney, ou que não sabia mais onde se posicionar no palco, bem como o grande
constrangimento de seus apoiadores até que muitos o incentivaram, após o
desastroso debate com Trump, a se retirar da corrida presidencial.
Biden, que deixou a Casa Branca
há quatro meses, nega ter sofrido qualquer deficiência cognitiva no final de
seu mandato. “Nada permite afirmar isso”, disse ele à ABC no início de maio.
“Depois que me retirei da corrida presidencial, permaneci como presidente por
seis meses e fiz um bom trabalho. Mas o que assustou todo mundo foi aquele
debate”, disse ele.
Com informações da AFP

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