Pesquisa feita pela CGU revelou
que 42,4% dos aposentados afirmam desconhecer aplicativo Meu INSS
Documentos ligados às
investigações sobre um esquema de descontos
ilegais dentro do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) evidenciam
a falta de acesso à internet ou aos canais digitais do instituto pela maioria das
possíveis vítimas.
Segundo a CGU
(Controladoria-Geral da União), um dos órgãos envolvidos nas apurações,
quatro em cada dez (42,4%) aposentados e pensionistas desconhecem o
aplicativo Meu INSS, plataforma usada pelo instituto para avisar
as pessoas atingidas pela fraude. O app também serve para as vítimas responderem
se reconhecem ou não descontos feitos nos seus benefícios.
O levantamento feito pela CGU a
partir de entrevistas com beneficiários do INSS também mostrou que 25,1% disseram
conhecer o Meu INSS, mas nunca o utilizaram. Das pessoas ouvidas
pelo órgão, 32,4% afirmaram já ter usado o aplicativo.
A CGU alerta que “os
beneficiários encontram dificuldades para utilizar as ferramentas
disponibilizadas para acesso aos serviços providos pela autarquia”.
“A utilização de ferramentas
digitais por uma minoria dos beneficiários do INSS limita a capacidade de o
cidadão identificar possíveis descontos realizados sem sua autorização,
situação agravada em função das fragilidades de controle relacionadas à inclusão
desses descontos na folha de pagamento do INSS”, alertou a CGU.
Ainda segundo o relatório,
“importa ressaltar a própria fragilidade inerente ao perfil dos beneficiários”,
o que torna os idosos mais suscetíveis à atuação de terceiros que agem visando
obter a documentação relativa à filiação e à autorização para descontos
associativos.
A professora aposentada Carla
Maria, de 59 anos, se sente insegura ao usar serviços digitais pela quantidade
de golpes que existem nas transações via computador ou celular. “A maior
dificuldade que tenho quando entro no site para obter uma informação é a quantidade
de informações pedidas e as várias camadas ou etapas que preciso fazer para
chegar a respostas”, diz.
Ela admite que a vida ficou mais
fácil com a tecnologia, mas também ficou mais “perigosa” para as pessoas que
têm dificuldade de usá-la. “Não me sinto segura de fazer qualquer transação sem
auxílio de um parente ou pessoa na minha total confiança.”
Márcia Coelho, 78, também
aposentada, ressalta que não consegue encontrar nenhum tipo de ajuda nas
próprias plataformas e também recorre a parentes. “Sempre tenho dificuldade,
principalmente em relação às senhas, e também acho que eles [aplicativos e
sites] contam com muitas informações e acabo me perdendo”, afirma.
Olha, quero agora atenção se você
é um aposentado, um pensionista, enfim, ou tem
Vítimas em regiões rurais
Um dos pontos destacados nas
investigações é o perfil das possíveis vítimas: 67% dos descontos ocorreram em
benefícios de quem vive em regiões rurais, enquanto 33% foram relacionados a
benefícios de quem mora na cidade.
Com isso, os beneficiários ainda
enfrentam um desafio geográfico para verificar informações sobre possíveis
descontos, seja pela dificuldade de acesso à internet em comunidades rurais,
seja pela limitação de deslocamento até uma agência do INSS ou até mesmo para
acessar serviços eventualmente disponibilizados por entidades associativas.
Parceria com os Correios para
atender vítimas presencialmente
Inicialmente, o governo tinha
anunciado que os pedidos de reembolso das vítimas da fraude do INSS só poderiam
ser feitos pelo Meu INSS ou pelo telefone 135. Contudo, o Executivo vai
permitir que aposentados e pensionistas façam a solicitação presencialmente.
A Previdência Social e os
Correios formaram uma parceria para que 4.730 agências possam prestar esse
serviço a partir de sexta-feira (30). O objetivo é atender exatamente as
pessoas que têm dificuldade com tecnologias.
“Esse atendimento, olho no olho,
será feito aos mais vulneráveis, que têm dificuldade de acesso à tecnologia,
aquelas pessoas que se dirigem à agência há muito tempo e querem receber um
abraço, um acolhimento, uma atenção personalizada”, afirmou o ministro Wolney
Queiroz.
O Jornal da Record teve acesso
exclusivo às investigações da Polícia Civil do Distrito Federal
O que diz a legislação?
Para a advogada especialista em
direito do idoso Fabiana Longhi, é dever do INSS oferecer alternativas para que
a pessoa idosa com dificuldade em utilizar meios digitais tenha acesso a
informações verdadeiras e atualizadas.
“Atualmente, além do aplicativo Meu
INSS, há a opção de contato telefônico por meio da Central de Atendimento do
INSS, pelo número 135. Entretanto, sem sombra de dúvidas, é um serviço que
demanda aprimoramento, em razão da lentidão e, muitas vezes, da
indisponibilidade de atendimento”, explica.
Fabiana também ressalta que a
legislação que garante atendimento prioritário a idosos não se limita apenas à
prioridade em filas, mas também à obrigação de que os locais de atendimento ao
público ofereçam um serviço facilitado, ágil e eficiente.
“É preciso incluir os usuários do
INSS no processo, indistintamente, sem os ver como um problema — com garantia
de acessibilidade, segurança e atualização das informações.”
Balcão Gov.br
A Secretária de Governo Digital
do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos tem um projeto para
facilitar o acesso para idosos e pessoas com baixo letramento digital. A
iniciativa é chamada Balcão Gov.br. Trata-se de uma iniciativa de atendimento
presencial, desenvolvida em parceria com estados e municípios.
Cada balcão conta com
profissionais treinados para ajudar os cidadãos a acessar o que precisam no app
ou site gov.br e capacitá-los para que eles possam usar a plataforma, que reúne
mais de 4.500 serviços públicos digitais, de maneira autônoma após o atendimento
presencial.
O INSS anunciou uma parceria com
os Correios para atender presencialmente os aposentados
R7

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