O regime de Nicolás Maduro lançou nesta quarta-feira uma nova ameaça contra a Guiana e a petrolera americana ExxonMobil, afirmando que tomará “todas as medidas necessárias” para interromper suas operações no Essequibo, uma região rica em petróleo e recursos naturais que a Venezuela reivindica como sua.
Sem especificar que tipo de ações
implementará, o ditador chavista advertiu que não permitirá a exploração
petrolífera em um território que considera “pendente de delimitação”. “É
absolutamente ilegal e a Venezuela rejeita, denuncia e tomará todas as ações
para deter a ação ilegal da ExxonMobil e do governo entreguista da Guiana”,
ameaçou o ditador caribenho.
A declaração de Maduro foi uma
resposta à denúncia do presidente guianês, Irfaan Ali, que acusou no sábado a
Armada venezuelana de entrar ilegalmente nas águas da Guiana.
O regime madurista defendeu a
incursão de seu navio, alegando que a zona continua em disputa e não pertence
legitimamente a Georgetown. “A Guiana está em uma tarefa ilegal de dispor de um
mar territorial pendente de delimitação internacional para atividades de
exploração petrolífera”, afirmou Maduro em um ato oficial, no qual reiterou seu
repúdio à presença da ExxonMobil na região e acusou o governo guianês de agir
contra sua própria soberania.
A disputa territorial entre
Venezuela e Guiana remonta a mais de um século, mas se intensificou em 2015,
quando a ExxonMobil descobriu grandes jazidas de petróleo na região. Georgetown
tem avançado na exploração desses recursos, concedendo em 2023 licenças
petrolíferas que aumentaram as tensões com Caracas. Em abril de 2024, a
assinatura de um novo contrato com a ExxonMobil reacendeu o conflito, levando a
Venezuela a classificar a concessão de “ilegal”.
O regime venezuelano justificou
seu recente envio de embarcações para a área como uma medida para “garantir a
soberania nacional e a segurança nos espaços aquáticos”.
A Força Armada da Venezuela
informou, na terça-feira, que detectou, por meio de “imagens de satélite”, a
presença de “28 embarcações de perfuração e petroleiros estrangeiros” operando
na área em disputa.
Ali, por sua vez, defendeu que as
operações da ExxonMobil “são realizadas legalmente dentro da zona econômica
exclusiva da Guiana”.
As hostilidades entre os dois
países aumentaram nos últimos meses. No dia 17 de fevereiro, a Guiana denunciou
que seis de seus soldados ficaram feridos em uma emboscada realizada por
supostos membros de uma gangue criminosa venezuelana. Caracas desqualificou a
acusação, chamando-a de “montagem”.
Em meio à crescente tensão, as
autoridades de ambos os países se reuniram no final de 2023 para evitar uma
escalada do conflito. No entanto, o chavismo insistiu em não reconhecer as
concessões petrolíferas guianesas e reiterou sua posição de que o Acordo de
Genebra de 1966, assinado entre Venezuela e Reino Unido antes da independência
da Guiana, é a base para uma negociação territorial.
Georgetown, por sua vez, rejeita
essa postura e, em 2018, levou a disputa à Corte Internacional de Justiça
(CIJ), solicitando a ratificação do laudo arbitral de 1899, que estabeleceu as
fronteiras atuais da Guiana.
A decisão da CIJ ainda está
pendente, mas Maduro advertiu que não reconhecerá um veredicto contrário aos
seus interesses.
O conflito pelo Essequibo, que
abrange aproximadamente 160.000 km², continua sendo um ponto de instabilidade
na região, com o risco de uma escalada maior impulsionada pela retórica
beligerante de Caracas.
A Comunidade do Caribe (Caricom)
instou a Guiana e a Venezuela a “evitar ações de confrontação desnecessárias” e
solicitou a Caracas que “ordene a retirada urgente do navio das águas da Guiana
e, além disso, se abstenha de entrar em contato com as plataformas FPSO”.
Com informações de EFE e AFP

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