Primeira etapa do plano egípcio concentrará em remover os escombros, explosivos, e criar habitações temporárias para mais de 1,5 milhão de pessoas. EFE/EPA/MOHAMMED SABRE
Reunidos em Cairo, líderes dos
países da Liga Árabe pediram a unificação sob a liderança da Organização para a
Libertação da Palestina, excluindo o Hamas; Egito apresentou um projeto de 53
bilhões de dólares
Líderes árabes aprovaram na
última terça-feira (5) um plano para a reconstrução da Faixa de Gaza e o retorno
da Autoridade Palestina, apresentado como uma alternativa ao plano de Donald
Trump, que prevê que os Estados
Unidos assumam o controle daquele território. Reunidos em Cairo,
os líderes dos países da Liga Árabe alertaram para o que chamaram de
“tentativas imorais” de deslocar os moradores da Faixa de Gaza, e pediram a
unificação dos palestinos sob a liderança da Organização para a Libertação da
Palestina (OLP), excluindo o movimento islamita Hamas.
Os líderes concordaram em criar
um fundo para financiar a reconstrução da Faixa de Gaza, destruída por 15 meses
de conflito entre Israel e o Hamas, e pediram a contribuição da comunidade
internacional. Mas o plano deve enfrentar a oposição de Israel, que prometeu
eliminar o Hamas e descartou um eventual papel da Autoridade Palestina na Faixa
de Gaza. O Egito apresentou um plano de 53 bilhões de dólares (R$ 310 bilhões)
para reconstruir a Faixa no prazo de cinco anos, um período equivalente ao da
ONU, segundo um projeto ao qual a AFP teve acesso.
O presidente egípcio, Abdel
Fattah al Sissi, disse que o plano garantiria que os 2,4 milhões de cidadãos da
Faixa de Gaza possam permanecer em suas terras, enquanto a iniciativa de Trump
prevê a sua expulsão para Egito e Jordânia. Sissi, no entanto, não criticou a
proposta americana e afirmou que o republicano “é capaz de conseguir a paz” na
região. “Qualquer tentativa imoral de deslocar o povo palestino ou de anexar
parte dos territórios palestinos ocupados mergulharia a região em uma nova fase
de conflitos, o que representa uma clara ameaça à paz” no Oriente Médio,
advertiram os participantes da reunião de cúpula em seu comunicado final.
O Hamas tomou o poder na Faixa de
Gaza em 2007, depois de expulsar a Autoridade Palestina, dirigida por Abbas. “O
Estado da Palestina assumirá a sua responsabilidade na Faixa de Gaza por meio
das suas instituições governamentais, e um comitê de trabalho foi criado com
esse fim”, anunciou Abbas na reunião. No cargo desde 2005, o presidente
palestino disse que está disposto a organizar eleições presidenciais e
legislativas nos Territórios Palestinos “no próximo ano”, se “houver condições
apropriadas”. O Hamas aceitou
o plano árabe e a criação de um comitê responsável por administrar o território
após o conflito.
Israel disse que o plano árabe
“não aborda as realidades” e criticou sua dependência da Autoridade Palestina e
da agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA). “Ambos demonstraram
repetidamente corrupção, apoio ao terrorismo e incapacidade para resolver o
problema”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores de Israel em um
comunicado.
A primeira etapa do plano
egípcio, de seis meses, vai se concentrar em remover os escombros, minas e
explosivos, e em criar habitações temporárias para mais de 1,5 milhão de
pessoas. Depois, viriam outras duas fases de reconstrução, a primeira para
criar infraestruturas básicas e habitações permanentes, e a segunda para
construir um porto comercial e um aeroporto, entre outros. O secretário-geral
da ONU, António Guterres, que acompanhou a reunião, afirmou que a ONU “apoia
firmemente” o plano árabe.A reunião de cúpula da Liga Árabe no Cairo coincidiu
com o impasse nas negociações entre o Hamas e Israel sobre os próximos estágios
do cessar-fogo que começou em 19 de janeiro em Gaza.
A primeira fase da trégua
terminou no último fim de semana e, para passar para a segunda fase, que em
teoria deveria levar a um cessar-fogo permanente, o ministro israelense das
Relações Exteriores, Gideon Saar, exigiu a “desmilitarização total” de Gaza, a
saída do Hamas do território e a devolução dos reféns sequestrados durante o
ataque de 7 de outubro de 2023 em território israelense que desencadeou a
guerra. O Hamas rejeitou imediatamente essas condições, enquanto Israel anunciou
a suspensão da entrada de produtos e suprimentos no território palestino.
“As armas da resistência são uma
linha-vermelha […], uma questão não negociável”, declarou nesta terça à AFP um
dos chefes do grupo, Sami Abu Zuhri. “Qualquer conversa sobre a deportação dos
combatentes da resistência ou de nosso povo será rechaçada” de antemão,
acreacentou. O ataque de 7 de outubro de 2023 deixou 1.218 pessoas mortas no
lado israelense, a maioria delas civis, de acordo com uma contagem baseada em
dados oficiais e incluindo reféns mortos ou mortos em cativeiro. A resposta do
Exército israelense causou pelo menos 48.397 mortes em Gaza, a maioria civis,
de acordo com dados do Ministério da Saúde do Hamas considerados confiáveis
pela ONU.
Com informações da AFP
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