O grupo terrorista Hamas e o partido Fatah, liderado pelo presidente palestino Mahmud Abbas, concordaram nesta terça-feira (03) em formar um comitê conjunto para administrar a Faixa de Gaza após o término da guerra na região.
A proposta, que ainda depende da
aprovação de Abbas, prevê a criação de um comitê composto por 10 a 15 membros
apartidários com especialização em áreas como economia, educação, saúde, ajuda
humanitária e reconstrução.
Durante negociações mediadas pelo
Egito no Cairo, ambas as facções acertaram que o comitê será responsável pela
administração do lado palestino do posto de controle de Rafah, na fronteira com
o Egito, a única passagem não compartilhada com Israel. Esse comitê estará
subordinado à Autoridade Palestina, controlada pelo Fatah e com sede na
Cisjordânia ocupada, e trabalhará com parceiros locais e internacionais para
viabilizar a entrada de ajuda humanitária e coordenar os esforços de
reconstrução.
A delegação do Fatah, liderada
por Azzam al-Ahmad, membro do comitê central do partido, retornaria a Ramallah
para buscar a aprovação de Abbas. Já a delegação do Hamas foi chefiada por
Khalil al-Hayya, integrante da liderança do grupo.
O anúncio ocorre em meio a
intensos esforços diplomáticos para encerrar o conflito entre Hamas e Israel em
Gaza, que teve início com os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023,
resultando na morte de cerca de 1.200 pessoas em Israel. Em resposta, a
contraofensiva israelense provocou mais de 44.000 mortes em Gaza, de acordo com
o Ministério da Saúde local.
Além disso, grande parte do
território foi devastada, e a maioria dos 2,3 milhões de habitantes de Gaza
ficou desabrigada.
As negociações diplomáticas,
lideradas pelos Estados Unidos com apoio de Egito, Catar e Turquia, ocorrem
após o estabelecimento de um cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista
Hezbollah no Líbano. Desde 2007, quando o Hamas assumiu o controle de Gaza após
expulsar o Fatah em confrontos violentos, as duas facções mantêm uma rivalidade
profunda.
Enquanto o Fatah governa
parcialmente a Cisjordânia e a Autoridade Palestina, o Hamas permanece isolado
em Gaza.
O governo do primeiro-ministro
israelense, Benjamin Netanyahu, tem como objetivo declarado a destruição do
Hamas. Netanyahu rejeita qualquer possibilidade de que a Autoridade Palestina
ou o Hamas assumam funções administrativas em Gaza no pós-guerra e afirmou que
Israel manterá um controle de segurança sobre a região por tempo indeterminado,
delegando as questões civis a líderes palestinos locais.
Os Estados Unidos, por sua vez,
têm pressionado pela revitalização da Autoridade Palestina para que esta
governe tanto Gaza quanto a Cisjordânia, pavimentando o caminho para a criação
de um Estado palestino. Paralelamente, Israel estaria discutindo com os
Emirados Árabes Unidos um plano para o pós-guerra, que incluiria apoio ao
Fatah.
O plano do comitê conjunto deve
ser implementado após a formalização de um acordo de cessar-fogo com Israel.
Entretanto, apesar das tentativas de mediação por parte de negociadores
americanos e árabes ao longo de quase um ano, as tratativas continuam sem
avanços significativos.
Gazeta Brasil

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