Arthur Lira, presidente da Câmara, argumenta que a inclusão da proteína elevaria a alíquota geral em 0,57%; texto será votado no plenário da Casa na próxima semana
O Grupo de Trabalho da Câmara dos
Deputados responsável pela regulamentação da reforma tributária divulgou nesta
quinta-feira (4) que as carnes não serão incluídas na lista de produtos da
cesta básica nacional, que terá alíquota zero quando a reforma entrar em vigor.
A decisão tem gerado polêmica e se tornou um ponto de disputa política. A
ausência de carnes na cesta básica foi defendida pelo presidente da Câmara,
Arthur Lira (PP-AL), que afirmou que a inclusão elevaria a alíquota geral em
0,57%, tornando-se um “preço pesado para todos os brasileiros”. A decisão final
foi tomada pela equipe do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para evitar o
aumento dos novos tributos, IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS
(Contribuição sobre Bens e Serviços).
A exclusão das carnes gerou
críticas, especialmente de parlamentares aliados ao ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL), e levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a defender,
inicialmente, a inclusão do frango na cesta básica. Lula argumentou que carnes
como frango são consumidas diariamente pela população mais pobre e deveriam ser
isentas de impostos. Bolsonaro ironizou a proposta de Lula, comentando nas
redes sociais que “a picanha se transformou em pé de galinha”. A discussão se
intensificou com Lula sugerindo a diferenciação na tributação de cortes
específicos de carne, o que foi considerado inviável pelo Ministério da Fazenda
devido a dificuldades de fiscalização.
O relator do grupo de trabalho,
deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), afirmou que a decisão de não
incluir carnes na cesta básica visa priorizar o cashback para a população de
baixa renda, garantindo que quem realmente necessita receba o benefício da
tarifa zero. O grupo também decidiu que produtos de cuidados básicos para a
saúde menstrual terão alíquota zero. A lista inclui absorventes, tampões
higiênicos, calcinhas absorventes e coletores menstruais. O texto da reforma
será votado no plenário da Câmara na próxima semana. As decisões polêmicas,
incluindo a exclusão das carnes, serão discutidas entre deputados, líderes
partidários e suas bancadas. O deputado Cláudio Cajado (PP-BA) destacou que o
diálogo agora será conduzido na Casa para aprovação do texto.
A reforma tributária prevê a
unificação de cinco tributos — ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins — em dois impostos
sobre valor agregado: a CBS, gerida pela União, e o IBS, com gestão
compartilhada entre estados e municípios. A alíquota de referência para esses tributos
está projetada em 26,5%. A transição para o novo modelo começará em 2026, com a
CBS sendo completamente instituída em 2027 e o IBS adotado definitivamente em
2033 após um período de convivência com os tributos atuais.
Por da Redação/JP
Publicada por Felipe Cerqueira
Reportagem produzida com auxílio
de IA

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