Medida foi condenada por diversos
países das Américas
O México denunciará
o Equador na segunda-feira (8) perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ)
pela invasão policial à sua embaixada em Quito para deter o ex-vice-presidente
equatoriano Jorge Glas.
A chanceler mexicana, Alicia
Bárcena, fez o anúncio neste domingo (7) em uma conferência de imprensa no
aeroporto da Cidade do México, onde recebeu os diplomatas de seu país que
deixaram o Equador após a ruptura de relações com o governo de Daniel Noboa.
"A partir de amanhã, estamos
indo à CIJ onde estamos apresentando este triste caso [...] Acreditamos que
podemos vencer este caso rapidamente", disse Bárcena. O objetivo do México
é que a CIJ "ordene ao Estado do Equador que repare o dano",
acrescentou.
A escalada diplomática entre os
dois países atingiu o ápice na noite de sexta-feira, quando policiais
equatorianos invadiram a embaixada mexicana em Quito para capturar Glas,
acusado de corrupção e refugiado lá desde dezembro alegando perseguição
política.
Horas antes, o ex-vice-presidente
de 54 anos havia recebido asilo político. Após a invasão, o presidente
mexicano, Andrés Manuel López Obrador, declarou na mesma noite de sexta-feira a
imediata ruptura de relações.
O modo de agir do governo do
Equador foi "prepotente e vergonhoso", escreveu o presidente mexicano
na noite de domingo na rede social X.
A invasão policial à embaixada,
sem precedentes na história recente, foi condenada por diversos países das
Américas, Espanha e União Europeia, bem como por organismos como a ONU e a OEA.
A Nicarágua também rompeu
relações com o Equador, acusado de não ter respeitado "a
inviolabilidade" das instalações diplomáticas consagrada na Convenção de
Viena de 1961.
No domingo, o presidente da
Bolívia, Luis Arce, expressou solidariedade a López Obrador em uma conversa
telefônica e anunciou que convocou sua embaixadora no Equador, Segundina
Flores.
Diplomatas de volta
"Condenamos veementemente
esta violenta invasão", reiterou neste domingo Bárcena no aeroporto,
acompanhada pela embaixadora Raquel Serur e pelo chefe de missão, Roberto
Canseco, que apareceu com um colar cervical após sofrer uma "agressão
física" pelas mãos da polícia.
O diplomata, que tentou impedir a
invasão, enfatizou a necessidade de punir o ocorrido. Assim
"desencorajamos que no futuro essas ações sejam tomadas", disse. A embaixadora,
que se emocionou em alguns momentos, disse que "o atropelamento é de tal
magnitude" que o governo de Noboa não pode "dimensionar" o que
fez ao "nobre" povo do Equador.
Bárcena destacou que o México não
pedirá que os diplomatas equatorianos deixem o país e garantirá a segurança de
sua embaixada, fora da qual se reuniram algumas dezenas de manifestantes.
O grupo de 18 pessoas, entre
diplomatas e seus familiares, chegou em um voo comercial ao meio-dia após serem
acompanhados ao aeroporto que serve Quito pelos embaixadores da Alemanha,
Panamá, Cuba e Honduras, que vigiaram para que sua integridade fosse
respeitada.
O México fechou indefinidamente
sua embaixada e estabeleceu uma plataforma eletrônica para atender aos cerca de
1.600 mexicanos e 30 empresas presentes no Equador.
Bárcena também disse que eles
estabeleceram uma "pausa" nas conversas sobre comércio internacional.
O México e o Equador estavam
negociando um tratado de livre comércio como condição para que o país
sul-americano possa ingressar na Aliança do Pacífico, bloco formado também por
Colômbia, Chile e Peru, e assim ter acesso ao mercado asiático. No entanto,
Quito mantém negociações diretas com a China e outros países deste continente.
Tensões
A crise diplomática começou na
quarta-feira, quando López Obrador estabeleceu um paralelo entre a violência
que marcou a campanha presidencial equatoriana de 2023, durante a qual o
candidato Fernando Villavicencio foi assassinado, e a criminalidade que ocorre
no México em relação às eleições de 2 de junho.
Segundo o presidente mexicano, o
crime de Villavicencio criou um "ambiente de violência" que fez a
candidata de esquerda Luisa González cair nas pesquisas e o candidato Daniel
Noboa crescer, resultando em sua vitória.
Quito declarou na quinta-feira a
embaixadora mexicana como pessoa "non grata", e López Obrador
respondeu na sexta-feira concedendo asilo a Glas. Noboa classificou essa
proteção como um "ato ilícito" e defendeu a operação, alegando um
"abuso das imunidades e privilégios" concedidos à missão diplomática.
Glas, que foi vice-presidente
durante o governo de Rafael Correa (2013-2018), apareceu neste sábado com o
rosto contorcido enquanto é conduzido com as mãos algemadas por guardas.
Ele foi transferido para uma
prisão de segurança máxima em Guayaquil (sudoeste) conhecida como "La
Roca" (A Rocha), segundo fontes no governo.
Correa, exilado na Bélgica desde
2017 e condenado à revelia a oito anos de prisão por corrupção, descreveu os
eventos de sábado como uma "loucura" e afirmou que Glas "está
com dificuldades para andar porque foi espancado".
O México, que por um século recebeu
perseguidos políticos de diferentes países, só havia rompido relações com a
Espanha de Francisco Franco, o Chile de Augusto Pinochet e a Nicarágua de
Anastasio Somoza.
AFP

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