Uma brasileira e seu marido, ambos viajando de moto pelo nordeste da Índia, foram vítimas de um violento ataque no último fim de semana, perpetrado por sete homens enquanto o marido era ameaçado de morte. Embora as autoridades indianas tenham conseguido identificar todos os envolvidos no estupro, até o momento apenas três deles foram detidos. Em entrevista à Agência EFE, o casal agradeceu por estarem vivos e compartilhou os detalhes do crime.
“A cada um dos sete, eles me
estupraram várias vezes. Enquanto dois ou três vigiavam ele (meu marido),
outros dois ou três vinham e se revezavam”, relatou a vítima, que, junto ao
marido brutalmente agredido, percorria o mundo de moto e acampava na aldeia de
Kunji, no estado de Jharkhand.
A entrevista ocorreu em uma casa
de segurança do governo, a cerca de 50 quilômetros do local do incidente, onde
contam com vigilância policial constante. Segundo o relato do casal, os sete
detidos foram identificados pela polícia, sendo pessoas com idades entre 18 e
30 anos. Eles mantiveram o marido nu e amarrado, enquanto dois ou três abusavam
da mulher. “Eu não a via e pensei: eles a mataram”, contou ele, que permaneceu
no chão recebendo golpes e chutes durante todo esse tempo.
Ela detalhou que, cerca de três
horas após o ataque, os agressores se “cansaram ou não queriam correr mais
riscos”, momento em que deram roupas a ela para que se vestisse antes de sair
dos arbustos onde ocorreu o estupro. O casal compareceu a um tribunal no
domingo para depor perante o juiz e relatar tudo o que aconteceu.
As vítimas do ataque estavam em
uma viagem ao redor do mundo, passando por diversos continentes e mais de 66
países. “Já visitamos 66 países, percorrendo 170.000 km. Passamos vários meses
na África, Oriente Médio, Iraque, Kuwait, Jordânia, Arábia Saudita e muito
tempo nesses lugares”, afirmou ele, lembrando que ela foi a primeira mulher a
entrar de moto no Afeganistão durante a época dos talibãs.
Durante as declarações à agência,
o casal relatou que ao longo da viagem não acampou em nenhum lugar, mas na Índia
a situação era diferente, não por questões de segurança, mas porque “há muita
gente por toda parte e não deixam você em paz”. Agora, os dois só pensam em
deixar o país e planejam viajar de moto até o Nepal na terça-feira, de onde
voarão para a Espanha.
Um caso de grande
repercussão
“Esperamos que isso sirva para que as penas
sejam severas. Na Índia, as penas são realmente duras, e quem pensar em fazer
algo assim deve pensar duas vezes”, comentou ele, enfatizando que, apesar
desses casos, a Índia é um país seguro, assim como o restante da Ásia.
O caso está agora nas mãos da
polícia, que mantém a investigação em andamento para tentar deter todos os
envolvidos. O estupro é um crime que afeta toda a Índia, especialmente em
Jharkahand, que está entre as 10 províncias com maior número de casos,
juntamente com Nova Delhi e Rajastão. O último relatório de crimes na Índia,
correspondente a 2022, registrou cerca de 31.500 casos de estupro apenas
naquele ano, aproximadamente 86 estupros por dia.
Gazeta Brasil

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