O ex-apresentador da Fox News, Tucker Carlson, entrevistou o presidente russo Vladimir Putin e transmitiu o encontro de mais de duas horas nesta quinta-feira em seu canal de internet.
Sobre um dos temas mais esperados
do encontro, a guerra em curso na Ucrânia – que Putin afirmou ter começado com
os eventos de 2014, que ele chamou de ‘golpe de Estado’ em uma tentativa de
“encerrar” o conflito – o entrevistador assegurou que o presidente expressou
sua total convicção de que “a Rússia tem direito a partes do oeste da Ucrânia”
e até mesmo afirmou que este país é “um estado artificial” criado pela vontade
do falecido líder soviético, Joseph Stalin. Além disso, o presidente descartou
planos de invadir a Polônia ou a Letônia e afirmou que isso só ocorreria se
esses países “atacassem a Rússia”.
Por outro lado, o presidente
culpou os Estados Unidos por seu envolvimento e influência no conflito e
denunciou que há um número indeterminado de “mercenários americanos” na
Ucrânia, que, inclusive, seriam quase tão numerosos quanto os poloneses e
estariam à frente dos georgianos. Por isso, sobre a proposta do líder democrata
do Senado, Chuck Schumer, de reforçar a ajuda à Ucrânia, Putin alertou
Washington que um maior envolvimento no campo de batalha colocaria “a
humanidade à beira de um conflito global muito sério”.
“No entanto, ele afirmou que os
países ‘mantêm contatos’ sobre esse conflito e mencionou que disse aos Estados
Unidos que se eles pararem de fornecer armas para Kiev, acordos poderiam ser
alcançados e a guerra poderia terminar ’em algumas semanas’. Ele também
mencionou que está pronto para negociar sobre a Ucrânia, mas Volodymyr Zelensky
‘assinou um decreto proibindo qualquer pessoa de negociar com a Rússia (porque)
está seguindo as instruções dos países ocidentais’.”
Além disso, ele se referiu ao
aprisionamento do jornalista americano Evan Gershkovich e disse que “um acordo
pode ser alcançado” para sua libertação. “Não há nenhum tabu para resolver este
assunto. Estamos dispostos a resolver, mas há certas condições que estão sendo
discutidas através dos canais dos serviços especiais. Acredito que um acordo
pode ser alcançado”, explicou.
No meio das referências
históricas que fez, Putin remontou à presidência de Bill Clinton, a quem disse
que perguntou se seu país poderia se juntar à OTAN, ao que recebeu uma resposta
negativa. O russo afirmou na entrevista que, se tivesse recebido um “sim” em
vez disso, teria iniciado um período de aproximação entre Moscou e a aliança
militar.
Sobre a explosão dos gasodutos
Nord Stream, que ligam a Rússia à Alemanha pelo Mar Báltico, Carlson perguntou
a Putin quem ele achava que estava por trás do incidente, ao que ele ignorou as
evidências de sabotagem contra si mesmo e respondeu “a CIA” ou os aliados
ocidentais. “Você precisa olhar para quem está interessado e, além disso, para
quem tem a capacidade, porque muitos podem ter o interesse, mas não os meios
para mergulhar nas profundezas do Mar Báltico e realizar esta explosão”,
justificou junto com sua resposta.
Desde o início da guerra que
lançou sobre a Ucrânia, em 22 de fevereiro de 2022, Putin não concedeu
entrevistas a meios de comunicação ocidentais e, inclusive, se submeteu a
poucos encontros com jornalistas russos e evitou completamente todos aqueles
que se opõem a seu plano de governo e seus objetivos bélicos. No Kremlin, no
entanto, afirmaram que esta entrevista não responde a uma postura “prorrusa” de
Carlson, mas sim a uma posição do entrevistador diferente da de outros
jornalistas anglo-saxões.
“Tucker Carlson convidou os
americanos e todos os cidadãos de qualquer país a assistir à entrevista e a
decidir com liberdade e não como ‘escravos’ sua opinião sobre Putin.”

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