A Justiça da Rússia informou nesta quinta-feira que decidiu manter sob custódia, pelo menos até o próximo mês de abril, a jornalista russo-americana Alsu Kurmasheva, que atuava como editora do serviço tártaro-bascir da Radio Free Europe/Radio Liberty (RFE/RL).
Este caso é amplamente visto como
parte da implacável repressão do Kremlin contra a dissidência e a liberdade de
expressão.
O diretor da RFE/RL, Stephen
Capus, tem insistido na necessidade de garantir a libertação de Alsu, passados
mais de três meses desde que a jornalista foi detida e encarcerada na cidade de
Kazan, acusada de não se registrar como agente estrangeira ao entrar no
território russo.
Capus denuncia que o caso é
resultado de uma “campanha injusta contra a jornalista”, detida “unicamente por
ser cidadã americana”.
“A comunidade jornalística, de
direitos humanos e diplomática em todo o mundo apoia Alsu hoje. A RFE/RL
agradece aos governos da União Europeia que enviaram representantes para os
debates de hoje. No entanto, a Rússia continua sua perseguição sistemática”,
lamenta.
“Sua detenção deveria ser
declarada injusta pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, da mesma
forma que Evan Gershkovich, do Wall Street Journal, foi designado como detido
injustamente imediatamente após sua prisão”, destaca.
Ele enfatiza que a Rússia tem “a
responsabilidade final pelo destino” da jornalista, que “deveria ser libertada
imediatamente para que possa retornar para casa com sua família”.
Seu marido, o jornalista Pavel
Butorin, indicou que “tudo aponta para que as decisões não sejam tomadas nos
tribunais”, mas sim “em Moscou”, sugerindo claramente que o caso é
politicamente motivado.
A jornalista foi detida no início
de junho de 2023, quando se preparava para retornar à República Checa – onde
reside com sua família – após uma viagem à Rússia por motivos pessoais.
As autoridades de Kazan
confiscaram seus documentos de identidade e a multaram por não se registrar
como “agente estrangeira”. Se considerada culpada, ela pode enfrentar até cinco
anos de prisão.
O tribunal de Tartaristão
rejeitou os apelos do advogado de Kurmasheva para colocá-la em prisão
domiciliar.
Grupos internacionais de direitos
humanos denunciaram a prisão de Kurmasheva como parte dos esforços do Kremlin
para reprimir a liberdade de expressão.
As autoridades russas
intensificaram a repressão contra críticos do Kremlin e jornalistas
independentes após o presidente Vladimir Putin enviar tropas para a Ucrânia em
fevereiro de 2022, utilizando legislação que efetivamente criminalizava
qualquer expressão pública que fosse contrária à linha do Kremlin sobre o
conflito.
Em 2017, as autoridades russas
ordenaram que a RFE/RL se registrasse como agente estrangeira, mas a
organização contestou o uso das leis russas sobre agentes estrangeiros no
Tribunal Europeu de Direitos Humanos. A Rússia multou a organização em milhões
de dólares.

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