O governo dos Estados Unidos está intensificando sua assistência militar à Guiana em resposta às crescentes ameaças da Venezuela de tomar posse de Essequibo, uma extensa região do território guianense. A informação foi confirmada por autoridades nesta segunda-feira (5).
O governo de Joe Biden se
comprometeu a ajudar a Guiana a comprar novos aviões, helicópteros, uma frota
de drones militares e, pela primeira vez, tecnologia de radar. O valor total da
compra ainda não foi divulgado.
A confirmação do plano de ajuda
militar ocorre um dia após a visita do vice-conselheiro de Segurança Nacional
dos EUA, Jon Finer, e do diretor geral para o Hemisfério Ocidental, Juan
González, à Guiana. A visita teve como objetivo discutir o aprimoramento das
capacidades de defesa do país.
Defesa da integridade
territorial
“Esta cooperação é
fundamentalmente de natureza defensiva e se baseia em nosso desejo de que a
Guiana possa defender sua integridade territorial contra qualquer possível
ameaça”, declarou Finer a jornalistas no domingo.
Ele também destacou que “não é
apropriado que países façam ameaças ou considerem publicamente o uso da força
contra outro país”, em uma referência velada à Venezuela.
Tensão histórica
A Venezuela reivindica a região
de Esequibo, rica em recursos minerais, que representa cerca de dois terços do
território da Guiana. A disputa territorial se arrasta há mais de um século,
mas se intensificou nos últimos anos, com a descoberta de petróleo na região.
Em dezembro de 2023, a Venezuela
realizou um referendo para anexar a região de Esequibo, o que gerou forte
condenação da comunidade internacional. O presidente da Guiana, Irfaan Ali,
classificou o referendo como “uma farsa”.
Medidas para fortalecer a
defesa
Em resposta às ameaças
venezuelanas, a Guiana vem buscando fortalecer suas capacidades de defesa. No
ano passado, o país recebeu assistência militar dos EUA, incluindo voos de
vigilância e assessoria militar.
O presidente Ali anunciou que a
Guiana comprará em breve uma frota de pelo menos quatro helicópteros
americanos, além de drones, aviões de asa fixa e outros equipamentos. O chefe
do Estado Maior, general de brigada Omar Khan, também disse que o país
investirá em sistemas de radar para melhorar o controle do espaço aéreo e
marítimo.
Diálogo e mediação
Apesar das tensões, as
autoridades da Guiana e da Venezuela têm se engajado em diálogos mediados por
Brasil e líderes caribenhos. A próxima rodada de conversas está prevista para
acontecer em breve, com a participação dos presidentes Nicolás Maduro
(Venezuela) e Irfaan Ali (Guiana).
Um conflito com raízes
históricas
A disputa territorial entre
Guiana e Venezuela remonta ao período colonial. A Venezuela reivindica a região
de Esequibo com base em um tratado assinado com a Espanha em 1777. Já a Guiana
argumenta que a fronteira foi estabelecida por um laudo arbitral de 1899, que a
Venezuela se recusa a reconhecer.
Em 2018, a Guiana recorreu à
Corte Internacional de Justiça (CIJ) para que o tribunal ratifique a fronteira
estabelecida no laudo arbitral. A CIJ ainda não proferiu uma decisão sobre o
caso.
Embora seja uma disputa
centenária, a controvérsia se intensificou em 2015, depois que a empresa
petrolífera americana ExxonMobil descobriu grandes reservas de petróleo na área
disputada.
E as tensões aumentaram após a
realização de um referendo sobre a soberania de Esequibo em 3 de dezembro na
Venezuela, que impulsionou a criação de um estado formal naquele território,
seguido pela chegada de um navio de guerra britânico às águas da Guiana, à qual
a Venezuela respondeu mobilizando mais de 5.600 homens em exercícios militares
próximos à fronteira em disputa.
(Com informações da AP e AFP)

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