Mirelis Diaz Zerpa era ativa
pelo Instagram e mostrava uso da IA nas artes, além de postar textos
motivacionais. Ela e Glaidson dos Santos são acusados de comandar esquema que
movimentou cerca de R$ 38 bilhões e lesou investidores em criptomoedas. Em sua
defesa, Mirelis disse que prisão se deu por irregularidade no seu visto.
A Polícia Federal (PF) prendeu a
venezuelana Mirelis Diaz Zerpa, a
esposa do "Faraó dos Bitcoins", em uma operação nesta
quarta-feira (24). A mulher, que estava foragida há 2 anos e meio, foi
encontrada em Chicago, nos Estados Unidos.
De acordo com a PF, a
estrangeira estava de forma ilegal no país, além de ter um mandado de prisão em
aberto pela 3ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Ela é acusada de crimes
contra o Sistema Financeiro Nacional, lavagem de dinheiro e integração de
organização criminosa.
A ação foi uma colaboração entre
a Polícia Federal, o U.S Immigrations and Customs Enforcement (ICE) e o Serviço
Secreto norte-americano.
Mirelis estava foragida desde
2021, quando seu marido, Glaidson
Acácio dos Santos, foi preso na Operação Kryptos. A
empresa deles foi investigada durante 2 anos.
Em sua defesa, Mirelis disse que
o motivo da prisão foi tão somente uma irregularidade no seu visto (veja
mais detalhes no fim desta reportagem).
Quem é 'Faraó dos Bitcoins'
Até 2014, Glaidson Acácio dos
Santos recebia pouco mais de R$ 800 como garçom, em um
restaurante chique na Orla Bardot, em Búzios, Região dos Lagos. Em 7
anos, tornou-se milionário que movimentou pelo menos R$ 2 bilhões em
uma empresa suspeita de aplicar o golpe conhecido como "pirâmide".
A GAS Consultoria Bitcoin,
empresa de Glaidson, prometia 10% de lucro em investimentos de clientes no
mercado de criptomoeadas. Segundo a investigação da Polícia Federal (PF) e
do Ministério Público Federal (MPF), que
levou à prisão de Glaidson, a firma nem chegava a investir em bitcoins
– os lucros eram pagos aos clientes enquanto o dinheiro de outros
entrava.
Dinheiro apreendido pela PF em
operação que prendeu suspeito de golpe pirâmide é contado
Com a GAS, Glaidson conseguiu
ascensão e acumulou fortuna. Mais
de R$ 7 milhões foram apreendidos em uma casa em Búzios, balneário
vizinho a Cabo Frio, em 2021. O dinheiro estava em três malas e seria levado
para São Paulo por um casal que trabalha para empresa dele.
A casa do empresário, em Cabo
Frio, é avaliada em R$ 9 milhões, tem segurança e carros de luxo na porta.
Mas ele foi preso no Rio, em
outra mansão. Lá, foram encontrados mais
de R$ 13,8 milhões em dinheiro, e até barras de ouro.
Um policial afirmou que não tinha
visto tanta quantidade de dinheiro em espécie nem nas apreensões da Operação
Lava Jato.
Além de reais, havia 100 libras
esterlinas, dólares e euros. Na garagem, foram achados um Porsche e uma BMW.
A GAS Consultoria Bitcoin,
empresa de Glaidson, foi
investigada por dois anos. Em um depoimento à polícia, ele chegou a
negar que mexesse com criptomoedas. Afirmou que atuava com inteligência
artificial, tecnologia da informação e produção de softwares.
Vida ativa nas redes sociais
Mesmo procurada
pela polícia brasileira e sendo considerada foragida, a venezuelana
Mirelis Diaz Zerpa parecia não se importar com sua condição na Justiça.
A mulher de Glaidson Acácio dos
Santos, o “Faraó dos Bitcoins”, chegou a fazer uma live direto dos
Estados Unidos, onde vive atualmente, para falar de suas novas paixões: uso da
inteligência artificial nas artes e música.
Nesta terça, um dia antes de ser
presa, Mirelis fez um post, em espanhol, afirmando que a qualidade da vida
"é forjada na medida em que estamos dispostos a investir em nós mesmos,
sem deixar que as opiniões alheias ditem o nosso caminho".
"Siga em frente, confie em
si mesmo e não tenha medo de apostar alto no seu crescimento pessoal",
completa ela em seu texto motivacional.
No dia anterior, ela tinha
publicado uma selfie na Times Square, famoso ponto turístico de Nova York. Ao
fundo da foto, aparece o monumento de George M. Cohan, e a foto é acompanhada
da legenda que diz: "A vida nos dá lições, e a gratidão nos ensina a
apreciá-las".
Em um comentário, um homem deseja
proteção a ela e diz: "Acreditamos em você".
Ela investe em uma carreira de
DJ, que foi anunciada em letreiro na Times Square, em Nova York.
No papo com os seguidores no ano
passado, houve quem cobrasse dinheiro perdido em investimentos (veja acima),
quem a chamasse para novos negócios e quem a xingasse. Mas Mirelis preocupou-se
apenas em agradar os seguidores e prometer novos conteúdos para a rede social.
“Irei criar mais conteúdo,
conteúdo de artes, e por enquanto, sigo por aqui, ouvindo minhas músicas”,
disse ao encerrar a live.
Fora da live, no entanto, Mirelis
postou um conteúdo indicando um texto sobre criptomoedas e investimento em seu
canal no YouTube.
Em reportagem, o Fantástico mostrou que a
Polícia Federal apurou que desde 2021 até 2023, Mirelis
sacou mais de R$ 1,2 bilhão de bitcoins.
Parte desse dinheiro foi usado
para comprar um avião, um rolls royce e, claro, movimentar a carreira de DJ.
Investigação da Polícia Federal e
do Ministério Público Federal estima que Mirelis, Glaidson dos Santos e demais
sócios da GAS Consultoria tenham movimentado cerca de R$
38 bilhões em um esquema conhecido como pirâmide financeira e lesado
investidores de criptomoedas.
Em 2023, a defesa de Mirelis
chegou a dizer que ela vivia legalmente nos Estados Unidos e que jamais teve
função administrativa, jurídica ou contábil na GAS. E que sequer tinha acesso a
dados da empresa.
O que diz Mirelis sobre a
prisão
A defesa de Mirelis Diaz disse
que “o motivo da detenção foi uma irregularidade formal em seu visto, o que era
de seu desconhecimento e de seus advogados, e que está em vias de ser esclarecido.”
A nota cita que, no dia 20 de
dezembro, o Superior Tribunal de Justiça concedeu ordem de habeas corpus a
Mirelis e que, portanto, qualquer ordem de prisão eventualmente existente no
Brasil seria absolutamente ilegal.
A venezuelana fala ainda que o
recesso forense impediu “a apreciação de embargos de declaração que ponderavam
duas questões fundamentais que pendem de manifestação no STJ: 1) a sequência de
ilegalidades cometidas pela 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro; 2) O
descumprimento reiterado, por parte do Juízo da 3ª Vara Federal do Rio de
Janeiro das decisões do Superior Tribunal de Justiça, fracionando e fabricando
eternas acusações e prisões sucessivas, sempre a impedir o cumprimento das
decisões das Cortes Superiores.”
Por g1 Rio





0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!