Na outra ponta, governo
pretende usar o período para tentar um acordo sobre o tema junto aos
parlamentares
Congressistas defensores da
prorrogação da desoneração da folha de pagamento aos 17 setores que mais
empregam no país preparam uma ofensiva à medida provisória (MP) que reonera as empresas. O
objetivo é garantir a derrubada da matéria até 1º de abril, data em que os
efeitos da medida começam a valer. Na outra ponta, o governo
federal quer usar o período para construir um acordo com o
parlamento. A ideia é chegar em um texto capaz de garantir mais
arrecadação aos cofres públicos para perseguir as metas fiscais.
Uma possibilidade é garantir a
permanência da desoneração aos 17 setores atualmente contemplados, mas revisar
a concessão dada aos municípios com até 142 mil habitantes que reduz para 8% a
alíquota da contribuição previdenciária sobre a folha dos municípios,
atualmente de 20%. A alternativa ainda precisa ser discutida entre os
parlamentares e há resistência em restringir a medida das prefeituras,
sobretudo em ano de eleições municipais.
O presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse que vai
analisar o teor dessa alternativa com os líderes, o que deve ocorrer nos
próximos dias. “Para além da estranheza sobre a desconstituição da decisão
recente do Congresso Nacional sobre o tema, há a necessidade da análise técnica
sobre os aspectos de constitucionalidade da MP”, disse Pacheco.
Parlamentares já se organizam
para derrubar a matéria ou até mesmo fazer com que ela seja devolvida ao
Planalto, sem nem sequer ter a tramitação iniciada. O presidente da Frente
Parlamentar do Empreendedorismo (FPE), o deputado Joaquim Passarinho (PL-PA),
sustenta que o Congresso já decidiu a questão por meio do projeto de lei e
derrubou o veto presidencial que barrava a matéria. "Uma MP não deve
ser feita para passar por cima da lei, contrariando toda a decisão majoritária
do parlamento. É desgastoso e desrespeitoso."
O autor do texto no Senado,
Efraim Filho (União Brasil-PB), disse ser "clara a intenção do governo em
tentar impor uma agenda, via MP, que ele não conseguiu sustentar em plenário,
principalmente na votação da derrubada do veto". Na avaliação da
deputada federal Any Ortiz (Cidadania-RS), relatora da medida na Câmara dos
Deputados, o governo foi "omisso" ao editar a MP, o que estremece a
relação de negociação entre os poderes.
"O ministro [Fernando
Haddad] vinha falando em apresentar uma proposta, que iria conversar com os
setores, mas em momento algum fez isso. Às vésperas do final do ano, apresenta
a MP, que causa grande instabilidade no processo. Estamos há mais de dez meses
fazendo a discussão, nas duas casas, e em momento algum o governo nos procurou
para discutir uma solução alternativa", disse Ortiz.
A reportagem apurou que o
presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), não gostou do gesto
feito pelo governo por duas razões: a primeira é que o Congresso Nacional
acabou de derrubar os vetos assinados por Lula à lei que prorrogou a desoneração
da folha; e, segundo, porque a proposta foi enviada via medida provisória, e
não por projeto de lei.
Governo
A ideia é que o ministro da
Fazenda, Fernando Haddad, lidere as conversas em torno da MP. A equipe
econômica quer reduzir a resistência ao longo dos próximos três meses para
garantir a manutenção da medida, ainda que com alterações. Se o texto sofrer
mudanças na Câmara ou no Senado, a matéria é aprovada na forma de um projeto de
lei de conversão e enviada para sanção ou veto do presidente da República.
Questionado sobre as negociações
em torno da medida provisória, Haddad respondeu, na entrevista em que anunciou
a edição da MP, que "tudo vai depender de conversa". "As pessoas
vão lá fazer pressão setorial, nós vamos explicar. Quem vai ganhar o debate eu
não sei. O que eu tenho observado é muita sensibilidade aos argumentos que
estão sendo apresentados pela Fazenda. Eu sou muito grato até aqui pela maneira
como o Congresso está tratando os assuntos da Fazenda. Não tenho queixa",
disse.
O vice-presidente Geraldo Alckmin
defendeu o movimento do governo e apostou na negociação com o Congresso.
“Acredito no diálogo. Lula é o presidente do diálogo. Não era fácil resolver
dois problemas de uma vez, como arcabouço e reforma”, disse Alckmin,
justificando o motivo pelo qual o governo não conseguiu focar da discussão do
projeto da desoneração.
A negociação só deve se
intensificar após o recesso parlamentar, que termina em 1º de fevereiro. Além
de Haddad, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, fará a
ponte entre o governo e o Congresso durante as discussões.
O que diz a MP
A desoneração beneficia os 17
setores que mais empregam, responsáveis por 9 milhões de empregos. Em vez de o
empresário pagar 20% sobre a folha do funcionário, o tributo pode ser calculado
com a aplicação de um percentual sobre a receita bruta da empresa, que varia,
conforme o setor, de 1% a 4,5%.
Com a nova medida, agora, o
imposto volta a incidir sobre a folha de pagamento, mas de forma parcial. O
texto determina que o tributo será aplicado apenas sobre o salário mínimo. A
remuneração que ultrapassar o salário mínimo vai pagar normalmente.
Lula editou uma medida provisória
que contém várias propostas para aumentar a arrecadação da União e alcançar a
meta do déficit zero. O texto, que também é assinado pelo ministro da Fazenda,
Fernando Haddad, foi publicado na última sexta-feira (29) no Diário Oficial da
União (D.O.U.).
Confira o escalonamento feito
pelo governo, em dois grupos, da reoneração da folha:
• o primeiro grupo engloba
atividades como transporte, comunicação e tecnologia da informação, cuja
tributação vai funcionar da seguinte forma: 10% em 2024, 12,5% em 2025, 15% em
2026 e 17,5% em 2027;
• o segundo grupo inclui
atividades como engenharia civil, indústria têxtil e editorial, cuja tributação
vai funcionar da seguinte forma: 15% em 2024, 16,25% em 2025, 17,5% em 2026 e
18,75% em 2027.
Bruna Lima, do R7, em Brasília

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!